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Como estragar uma boa ideia – Observador Feijoada

ByEdgar Guerreiro

Set 20, 2023

Lembra-se da iniciativa #EstudoEmCasa, lançada em Abril de 2020, em resposta à pandemia, com aulas transmitidas na RTP Memória e compiladas num portal digital? Lembra-se de a iniciativa ter sido alargada também ao ensino secundário no ano lectivo 2020/2021 e de o então ministro Tiago Brandão Rodrigues assinalar que a ferramenta seria «um companheiro para o estudo ao longo deste e dos próximos anos letivos»? Sim, é fácil lembrar: a iniciativa teve inquestionável impacto, mérito e mais-valia. Sobretudo se explorada enquanto complemento do trabalho feito com os professores na escola e em reforço da aprendizagem (e não em substituição do ensino presencial).

Entretanto, lembra-se de alguma actualização do #EstudoEmCasa nos anos lectivos 2021-2022 ou 2022-2023? Seria impossível lembrar-se do que não aconteceu. No final do ano lectivo 2020-2021, a iniciativa parou e foi desde então esquecida na prateleira. Quem consultar o site da iniciativa, alojado no portal da Direcção-Geral da Educação (DGE), encontrará um arquivo de vídeo-aulas datado para o ano lectivo 2020-2021, com os últimos conteúdos carregados em Junho de 2021. Dois anos de silêncio.

Porquê este silêncio abrupto? A iniciativa foi um sucesso, teve enorme publicidade e havia entrado nas rotinas domésticas, com muitas famílias a incentivarem os filhos a consultar os videos para revisão da matéria dada na escola. O potencial saltava à vista, ainda mais se tivermos em conta que uma aposta continuada converteria o repositório de vídeos numa espécie de “centro de estudos” digital e gratuito, à disposição de todos os alunos. Isto não é um pormenor: as desigualdades sociais são um flagelo educativo a que as escolas nem sempre conseguem responder, e que é ampliado pelas assimetrias económicas no acesso a explicações pagas. Ter uma oferta gratuita e acessível de aulas/explicações seria uma medida tão útil quanto importante.

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