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Tensão política em Espanha. Sánchez cercado por independentistas e barões do PSOE – Observador Feijoada

ByEdgar Guerreiro

Set 21, 2023

Pedro Sánchez, atual primeiro-ministro espanhol, continua a ser pressionado para não ceder às exigências de partidos independentistas catalães para uma amnistia em troca do seu apoio ao PSOE na formação de governo. Unidos por aquilo que dizem ser a defesa da democracia, Alfonso Guerra e Felipe González, antigo vice-presidente do governo e ex-primeiro-ministro, respetivamente, ambos do PSOE, defendem que o partido não pode “ser chantageado” no que à amnistia reivindicada diz respeito.

Citado pleo El Mundo, Alfonso Guerra lançou críticas a Pedro Sánchez, que se encontra a negociar com os independentistas, e classificou-o como “dissidente” do PSOE, acrescentando que “num dia defende uma coisa e noutro outra”. O antigo vice-presidente do governo pediu ainda aos “dois maiores partidos” para cooperarem para evitar que os nacionalistas, que diz representarem cerca de 6% da nação, “desobstruam a ordem constitucional”. “A esquerda tem de se distanciar dos partidos que defendem o separatismo.”

A opinião é seguida por Felipe González, primeiro-ministro espanhol e um histórico do partido, que afirma que que a “amnistia não é constitucional” e que o PSOE não pode “ser chantageado por ninguém, muito menos por minorias em perigo de extinção”.

Esta quarta-feira, Pedro Sánchez voltou a ser pressionado pelos independentistas Junts per la Catalunya, de Carles Puigdemont. “A dívida histórica do Estado com a Catalunha ultrapassa os 450 mil milhões de euros“, defende o partido, que, segundo o espanhol El Mundo, propõe a criação de uma agência própria que possa gerir o sistema de pensões da região. Além disso, querem “uma partilha de solidariedade entre a Catalunha como nação e o Estado espanhol” até que a independência seja alcançada.

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O Junts per la Catalunya quer ainda que o Estado espanhol “compense a transferência da liquidação de orçamentos em infraestruturas que não foram cumpridos durante os mandatos de Sánchez” e pretende que o poder de cobrança de impostos na comunidade seja transferido para uma autoridade da Catalunha.

Aparentando estar algo indiferente a críticas e pressões, numa conferência, Pedro Sánchez não rejeita a negociação da amnistia mas disse que o “enquadramento é a Constituição”. E afirma que vai ser “coerente com a política” de “normalização e estabilização da situação política na Catalunha”, que diz estar “muito melhor do que em 2017”.

Confrontado pelos jornalistas com as declarações de Oriol Junqueras — o líder da Esquerda Republicana de Cataluña (ERC) disse que a amnistia está acordada desde o mês passado — Sanchéz respondeu da seguinte forma: “As conversações podem ser discretas, mas os acordos devem ser transparentes“. À margem da conferência, o atual primeiro-ministro espanhol afirmou ainda que não acredita que Carles Puigdemont deva ser julgado porque “uma crise política nunca teve que levar a uma ação judicial”.

Rercode-se que Espanha está num impasse político desde as eleições gerais do dia 23 de julho deste ano. As eleições foram ganhas pelo Partido Popular, liderado por Alberto Núñez Feijóo, embora sem maioria absoluta. O PSOE, de Pedro Sánchez, ficou em segundo lugar e poderá chegar ao poder se conseguir o apoio de vários partidos independentistas da Catalunha e do País Basco.

As figuras que lideram esses partidos, como Carles Puigdemont, colocaram como condição uma amnistia a todos os líderes separatistas condenados ou acusados pela justiça por causa de processos relacionados com tentativas de independência da Catalunha desde 2014.

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