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Novo estudo propõe que recriações anteriores subestimaram o potencial do dispositivo por não terem considerado dois elementos do desenho: a presença de solda e o possível papel do recipiente cerâmico como parte ativa do circuito.
O caso da curiosa, misteriosa e muito polémica “bateria de Bagdade”, a quem o ZAP dedicou um artigo há poucos meses, acaba de se tornar ainda mais controverso.
Este mês, um novo estudo experimental sobre o artefacto arqueológico associado a um jarro de barro com cerca de 2000 anos, encontrado perto da capital do Iraque, sugere que o objeto poderia ter produzido mais eletricidade do que se estimava até agora.
A investigação, conduzida pelo investigador independente Alexander Bazes e publicada na Sino-Platonic Papers, propõe que recriações anteriores subestimaram o potencial do dispositivo por não terem considerado dois elementos do desenho: a presença de solda e o possível papel do recipiente cerâmico como parte ativa do circuito.
Segundo Bazes, estes fatores permitiriam que o conjunto funcionasse como “duas baterias em uma”, com uma célula “interna” baseada na combinação de cobre e ferro — já frequentemente discutida — e uma segunda célula “externa”, descrita como uma bateria aquosa estanho–ar, ligada em série, explica, citado pelo Ciência IFL.
No modelo experimental apresentado, esta configuração teria gerado mas 1,4 voltsum valor que, de acordo com o autor, seria suficiente para desencadear reações eletroquímicas “úteis e claramente visíveis”, como eletrodeposição (incluindo possíveis aplicações em galvanoplastia), corrosão controlada e eletrólise da água, produzindo hidrogénio e oxigénio.
A nova observação reforçaria a hipótese originalmente avançada por Guilherme Rei de que o artefacto poderia ter sido concebido como um dispositivo eletroquímico.
Apesar de tudo, continua a não haver evidência independente que comprove práticas como eletrodeposição sistemática na região e no período associado ao achado, e faltam de artefactos semelhantes que apontem para uma tecnologia difundida. Investigadores céticos têm repetido que experiências bem-sucedidas demonstram apenas possibilidade, não utilização histórica, e que seria necessário encontrar indícios materiais compatíveis, por exemplo, objetos inequivocamente tratados por processos eletroquímicos ou documentação.
Além disso, persistem dúvidas sobre a datação e até sobre a finalidade original do jarro, com hipóteses alternativas a apontarem para um uso como recipiente de armazenamento, incluindo a preservação de rolos ou textos em material orgânico, à semelhança de vasos encontrados noutros sítios da região.
A perda do artefacto original, saqueado durante a invasão do Iraque em 2003, limita a reavaliação direta.
