
ZAP
Rio Douro junto à Ponte da Arrábida, na noite de 03-02-2026
Maria da Graça Carvalho explicou o que se passa nos rios, nas barragens. Caudal do Mondego é a situação mais preocupante.
Ó aviso já foi dado: vêm aí (mais) dias de chuva persistente, por vezes forte. Há risco real de cheias, de inundações, não só nas próximas horas – a próxima madrugada será crítica – mas também ao longo dos próximos dias.
A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) já elevou para o máximo o nível de prontidão em todo o país: “100% da capacidade dos agentes de proteção civil disponível”, revelou o comandante Mário Silvestre, em conferência de imprensa.
Maria da Graça Carvalho explicou o que se passa nos rios, nas barragens em Portugal – e em Espanha.
A ministra do Ambiente começou por dizer, na rádio Observadorque a preparação para este cenário começou há três semanas.
Como chuvas persistentes começaram no fim-de-semana e vão prolongar-se até ao dia 10a próxima terça-feira, segundo as indicações que o Governo recebeu.
Mas a situação está controlada, garantiu: “Precisámos mesmo de fazer descargas preventivas. E fizemos. Temos a situação que poderia dizer controlada de qualquer modo”.
UM zona mais preocupante é o rio Mondego. Já foi feita uma descarga “muito grande” na barragem da Aguieira, que está com 10 metros de folga.
“O rio Mondego é segmentado em diques e, quando há cheias, são cheias rápidas porque a água transborda o dique. Não é como em todos os outros rios que são cheias lentas e portanto dá tempo para se reagir”, avisou, repetindo no entanto que há risco de cheias, sim, mas controladas.
Mas quem mora junto às zonas mais baixas pode estar tranquiloassegurou a ministra do Ambiente: “Estamos a medir a toda hora; quando se aproximar do ponto crítico, está tudo preparado para tirarmos a população das zonas baixas e mudar as pessoas. Está tudo preparado”.
Na maré cheia da próxima madrugada, perto das 4h30m, o panorama pode complicar-se de Coimbra para oeste, até à foz do Mondego, na Figueira da Foz.
“Depois voltamos a ter um período crítico no fim-de-semanae sábado e principalmente domingo”, relatou.
O segundo caso mais preocupante é o do rio Douro, segundo Maria da Graça Carvalho. Voltando à questão das barragens (no Douro e em todos os rios ibéricos), Portugal tem uma “gestão perfeita” com Espanha mas, admite a ministra, essa articulação “vai ser cada vez mais difícil porque Espanha “começa a estar cheia”, ao contrário dos primeiros dias desta fase de tempestades.
As descargas preventivas acalmam o cenário mas a ministra do Ambiente tem noção de que há 10 rios aos quais se deve estar mais atento: Mondego, Douro, Cávado, Lima, Minho, Vouga, Águeda, Tejo, Sado e Guadiana.
O Mondego lidera nas preocupações mas todos os outros caudais podem levar originar a evacuação dos habitantes locais, das zonas mais próximas dos rios.
Com foco no rio Douro, e num momento de volumes de chuva anormais, os rios não conseguem despejar a água do rio no mar durante a maré cheia.
Se for preciso fornecer alojamento ou alimentos a pessoas afectadas, “está tudo, bem organizado”, assegura a ministra Maria da Graça Carvalho. “Mas espero que não seja preciso”.
A ministra do Ambiente finaliza com um apelo a todos: seguir todas as indicações das autoridades, caso seja necessário, e começam já a retirar os bens, ou as pessoas mais idosas dos lares.
