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A estrada mais longa do mundo tem um mas: atravessar a sua “fenda” selvagem é quase impossível



Angélica Jacobi/Wikimedia Commons

A autoestrada Panamericana no deserto Atacama, Peru

30 mil quilómetros, 14 países e uma “racha” de 106 quilómetros descrita como “o lugar mais perigoso que já vi”. Uma mulher canadiana acaba de se tornar a mais rápida a atravessar a enorme autoestrada de bicicleta.

A Estrada Pan-Americana é, já há muito tempo, descrita como a mais longa “autoestrada” do mundo.

Um vasto eixo rodoviário com cerca de 30 mil quilómetros liga 14 paísesatravessando as Américas desde o Alascanão muito ao norte, até a Terra do Fogo (Argentina/Chile) no sul da América do Sul.

No entanto, o longo percurso é interrompido por um segmento considerado altamente perigoso e impossível para a maioria das pessoas e veículos. Mas já lá vamos.

Apesar do nome, não se trata de uma única via contínua. A Pan-Americana é, na prática, uma rede de estradas construídas por etapas, ao longo do início do século XX que, somadas, formam um corredor continental.

Ainda assim, a dimensão e a ambição do traçado fizeram da estrada um ícone da cultura automóvel ali lado a lado de estradas míticas como a Rota 66.

Mas se está a pensar aventurar-se no asfalto da Pan-Americana, prepare-se. Ventos árticos no norte, desertos escaldantes mais a sul, mudanças bruscas de altitude são os problemas menores.

Fenda de mais de 100 km

O obstáculo mais conhecido é a gigante Região de Darien ou Fenda de Darién, uma lacuna próxima de 106 quilômetros entre o Panamá e a Colômbia.

Nesta “falha” não há pontes, asfalto, nada além de floresta tropical densa e desafiante. Atravessar este ponto de carro é tido como impossível: o terreno é dominado por selva densa, pântanos, rios e zonas alagadiças — já para não mencionar a palma negra (Astrocaryum standleyanum), uma palmeira nativa que têm espinhos de cerca de 20 centímetros que podem provocar infeções severas.

A passagem a pé existe, mas é descrita como altamente perigosa, tanto pelas condições naturais como por relatos de atividade de gangues e grupos armados.

Nos anos 1980, uma expedição (terá sido a quarta a tentá-lo) partiu para a conhecida fenda com um objetivo: fazer o caminho dentro de um veículo. Loren and Patty Upton terão sido os primeiros a consegui-lo, após 741 dias de viagem, com um Jeep CJ-5, de acordo com o Portal de Expedição.

Atualmente, muitos são os que se arriscam a atravessar a fenda a pé. Outros, fazem-no de bicicleta. Foi o caso de Ashleigh Miles: partiu do Alasca e foi até a Argentina.

No entanto, Myles não atravessou a famosa fenda: encaixotou a bicicleta e voou de Panama City para Cartagena para contornar a interrupção, explica a própria no seu blogue. — e o “relógio” continua a contar durante a travessia.



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