
Rui Minderico/LUSA
O Rio Sado voltou a galgar as margens e inundou a Av. dos Aviadores, devido à passagem da depressão Leonardo, em Alcácer do Sal
Situação complica-se no distrito de Setúbal. Quase 100 pessoas foram resgatadas das cheias, em Alcácer do Sal e 35 retiradas de casa em Almada.
Um total de 89 pessoas foram resgatadas em Alcácer do Saldistrito de Setúbal, devido à cheia do rio Sado, entre quarta-feira e a madrugada de quinta.
“A maré vai subindo devagarinho e agora, nada há a fazer, temos de aguardar que a Natureza vá retirando o caudal do Sadosendo que o pico da preia-mar (maré-cheia) estava previsto para as 06h horas”, afirmou o comandante Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil do Alentejo Litoral, à Lusa
Tiago Bugio congratulou-se com o esforço de todo o efetivo empregado, entre bombeiros, militares da GNR e funcionários do município, num total de cerca de 80 elementos, e com o facto de não haver quaisquer feridos.
Tiago Bugio, frisou, num balanço pelas 23h15, que a situação é “cada vez mais complicada”. Tiago Bugio referiu que a subida da água estava a atingir também Grândola e Odemira (Beja).
As escolas de Alcácer do Sal vão estar encerradas até sexta-feiradevido ao agravamento das condições meteorológicas, afetando mais de mil alunosque terão aulas em casa.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousaeste esta quinta-feira em Alcácer do Sal e considerou que “é talvez a situação de cheias mais grave” do país, consistindo num “teste à resistência”.
35 pessoas retiradas de casa em Almada
Em Almada, também impera o caos. Pelo menos 35 pessoas tiveram de ser retiradas de casa naquele concelho, entre as quais 22 idosos de um lar, na Charneca da Caparicadevido a deslizamentos de terra ou galgamento costeiro.
Em conferência de imprensa, a presidente da Câmara Municipal de Almada, no distrito de Setúbal, explicou que os deslizamentos de terra nas arribas são uma das grandes preocupações.
“Estamos com problemas, como viram, de deslizamento de terras, que é a nossa grande preocupação, porque está tudo muito encharcado”, disse Inês de Medeiros.
Na zona da Costa da Caparica, São João e Santo Antónioexplicou, são as zonas onde têm ocorrido os maiores deslizamentos de terra, “sem danos de maior”, tendo as pessoas sido convidadas a sair.
Inês de Medeiros adiantou que numa outra zona, na Azinhaga dos Formozinhosforam retiradas quatro famílias, tendo duas delas sido realojadas pela autarquia.
Na zona a Segundo Torrãoacrescentou a autarca, devido ao galgamento costeiro, tiveram de ser retiradas duas famílias com cerca de 10 pessoas. Por seu turno, na Cova do Vaporas vias de acesso foram cortadas, estando no local equipas de vigilância.
Além destes casos, a presidente fez também referência à queda de parte do muro do Seminário de Almada, na noite de terça-feira, que danificou viaturas, e ao abatimento de parte da zona do cais do Ginjal que não tinha sido requalificada.
Portugal continental está agora ser afetado pela depressão Leonardo, prevendo-se até sábado chuva persistente e por vezes forte, queda de neve, vento e agitação marítima forte, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera.
