
Cortesia / ULS São João
Administrações de hospitais têm de violar a lei para terem o que os doentes precisam. Mais de 2 mil reformados são “impacto brutal” no SNS.
Na segunda metade de cada ano, costuma acontecer: hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) ficam sem orçamento para comprar medicamentos.
Em 2026, estamos ainda em Fevereiro e, logo ao segundo mês do ano, esse cenário já se está a verificar em vários hospitais.
A indicação surge no Públicoque lembra que esta situação invulgar está relacionada com ano de contenção de custos no SNS: o Orçamento do Estado para este ano prevê um corte de 10% (800 milhões) na despesa com bens e serviços no SNS.
Para dar a volta à situação, e para os doentes terem o que precisam, há administrações de hospitais a violar a lei e a assumirem elas próprias responsabilidades financeiras.
Xavier Barreto, presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, nunca passou por um cenário destes logo em Fevereiro. Mas acredita que o Governo “vai tomar a iniciativa de repor os fundos” – ou com uma alteração no Orçamento, ou com injecções financeiras.
O Ministério da Saúde, confrontado com a questão, respondeu que são casos pontuais e transitórios.
Estão associados “ao encerramento do ano económico” e “aos ajustamentos normais decorrentes da execução orçamental”, anotou o Ministério.
A prestação de cuidados de saúde aos utentes encontra-se “salvaguardada”, assegurou o Governo – que admite reforçar o orçamento.
Muitos reformados
Noutro assunto, mas também relacionado com o SNS, o Diário de Notícias destaca que 2.419 profissionais do SNS reformaram-se ao longo do ano passado.
Muitos são médicos especialistas (570) e enfermeiros (541). Ou seja, nas duas classes, juntas, reformaram-se 1.111 profissionais.
Carlos Cortes, bastonário da Ordem dos Médicos, e Luís Filipe Barreira, bastonário da Ordem dos Enfermeiros, acham que estes números causam um “impacto brutal” sem SNS.
