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Sheik saudita dono de hotéis de luxo no Algarve está a ser investigado pela PJ



Sua viagem de golfe

Pinheiros Altos, no Algarve, é um dos empreendimentos do sheik

Outrora um dos homens mais ricos do mundo, Mohamed Bin Issa Al Jaber está agora a ser alvo de investigações em vários países, incluindo Portugal.

O magnata saudita Mohamed Bin Issa Al Jaberque já foi considerado um dos homens mais ricos do mundo, está a ser investigado pela Polícia Judiciária. Segundo avança o Jornal de Negócioso Ministério Público investiga várias queixas-crime contra o empresário, incluindo suspeitas de burla, falsificação de documentos, desobediência qualificada e branqueamento de capitais

Nascido em 1959, em Jidá, Mohamed Bin Issa Al Jaber construiu ao longo de décadas um vasto império empresarial nos setores da hotelaria, imobiliário, financeiro e de petróleo e gás, com presença no Médio Oriente e na Europa. Autointitulando-se sheik, Al Jaber chegou a figurar, em meados da década passada, nas listas da revista Forbes, com uma fortuna avaliada em cerca de sete mil milhões de dólares.

Em Portugal, foi um dos primeiros investidores estrangeiros a apostar no turismo de luxo, tendo chegado ao Algarve em 1987. Tornou-se proprietário do empreendimento Pinheiros Altos, na Quinta do Lago, onde desenvolveu um complexo residencial e um campo de golfe. A sua projeção mediática atingiu o auge em 2002, com a chamada “Festa do Século”, organizada para anunciar o projeto Royal Algarve, um resort de ultraluxo avaliado em cerca de 200 milhões de euros, que nunca chegou a concretizar-se.

Em 2008, voltou às manchetes com a compra dos hotéis de cinco estrelas Penina e Dona Filipa, bem como do campo de golfe San Lorenzo, num investimento de aproximadamente 175 milhões de euros. No entanto, a partir daí, o conglomerado JJW Hotels & Resorts entrou numa espiral de dificuldades financeirasmarcada por incumprimentos, litígios com bancos, reestruturações de dívida e salários em atraso.

A reputação internacional de Al Jaber foi também afetada por controvérsias, como a recusa, em 2002, da Human Rights Watch em aceitar um donativo da sua fundação, alegando preocupações com práticas laborais associadas às suas empresas.

Nos últimos meses, a situação agravou-se significativamente. Em novembro, o Supremo Tribunal do Reino Unido condenou Al Jaber a pagar cerca de 67 milhões de euros aos liquidatários da empresa MBI International & Partners, considerando que o empresário promoveu transferências ilícitas de ativos após a liquidação da empresa. Pela primeira vez, a dívida passou a ser pessoal, tendo sido emitida uma ordem de prisão suspensa, que poderá ser ativada caso entre em território britânico.

Na Áustria, perdeu o controlo do Gran Hotel Wien, vendido em processo de insolvência por 90 milhões de euros. Al Jaber perdeu o controlo das suas empresas nacionais, agora geridas por administradores nomeados pelo credor garantido, a gestora britânica Arrow.

Intimado a prestar declarações às autoridades portuguesas, o sheik enfrenta o risco de detenção caso volte a faltar às convocatórias.



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