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Mau tempo: as Forças Armadas estão lá, a comunicação é que… não



ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Um militar resgata uma ovelha na zona que ficou submersa pela subida da água do Rio Lis devido ao mau tempo, em Leiria

O Presidente da República contestou que as Forças Armadas tenham chegado muito tarde ao terreno depois da tempestade Kristin, mas considerou que a falta de um porta-voz gerou a ideia de que estavam ausentes.

O chefe de Estado e comandante supremo das Forças Armadas falava aos jornalistas no Cartaxo, no distrito de Santarém, depois de ter ido de barco visitar a povoação de Valada, isolada devido às cheias, a propósito de uma notícia do Expresso sobre a atuação da Proteção Civil e a reação das Forças Armadas à tempestade Kristin.

Marcelo Rebelo de Sousa diz que, quanto à atuação das Forças Armadas, o que parece ter ocorrido foi um “problema de comunicação”em que “o facto de não haver um porta-voz oral, e haver comunicados que ninguém lia, ninguém sabia, não eram conhecidos, é que levou à interpretação de que as Forças Armadas não estavam no terreno“.

Questionado se a comunicação foi o maior problema na gestão desta criseo Presidente da República concordou: “Eu acho que sim. Eu acho que a comunicação é muito difícil de estabelecer e de pôr a funcionar”.

Além de apontar “este exemplo de as Forças Armadas não terem um porta-voz, que noutras ocasiões tiveram”, acrescentou: “A própria Proteção Civil, o funcionar e discutir se é de tantas em tantas horas, como é, como não é, é sempre um tema muito discutido. E as próprias autoridades governativas, quando há uma dispersão de membros do Governo no território, a comunicação é sempre mais difícil”.

Instado a comentar a informação de que as Forças Armadas só decretaram o nível de “prontidão imediata” na segunda-feira, 2 de fevereiro, quase uma semana depois da passagem da tempestade Kristin, o chefe de Estado comentou: “Eu devo dizer que tenho dúvidas disso”.

“Por uma razão muito simples: porque eu fui para o terreno no dia 30 [de janeiro]e no dia 30 eu já citei comunicados das Forças Armadas, eu lia os mails, porque não chegavam, como não havia um porta-voz das Forças Armadas a explicar. Eu lia, e falei daquilo que já tinha sido feito no dia anterior, no dia 29, e falei daquilo que estava em prontidão no dia 30″, referiu.

Interrogado se as Forças Armadas estavam no terreno, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu: “Estavam no terreno. Eu, por exemplo, lembro que em Ferreira do Zêzere, onde eu estive, já eles tinham estado em Ferreira do Zêzere, e tinham estado em Leiria, e tinham estado essencialmente naquele núcleo inicial, que foi mais atingido nos primeiros dias, mas já estavam, quer o Exército, quer a Força Aérea”.

Forças Armadas no terreno

De acordo com o balanço divulgado pelo gabinete do Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA), as Forças Armadas empenharam, 2.805 militares, 367 viaturas e 27 máquinas de engenharia em cerca de 40 concelhos, esta sexta-feira.

Esteve também no terreno com 55 botes, quatro semirrígidos e duas lanchas anfíbias.

O EMGFA sublinhou que perante o “agravamento severo das condições atmosféricas, que provocaram um alagamento acentuado de áreas inundadas”, realizaram o resgate de 83 pessoas e 15 animaiscolocaram em segurança 10 cavalos e 70 vacas, construirão barreiras de contenção e realizaram o transporte e distribuição de bens essenciais, como água e alimentos.

As Forças Armadas garantiram ainda o fornecimento de informação geoespacial de apoio à simulação de cenários de inundações para identificação das áreas afetadasfizeram 10 missões de vigilância e reconhecimento aéreos, realizaram operações de bombagem de águas e trabalhos de apoio técnico a infraestruturas essenciais ou reforçaram as capacidades de produção de energia elétricaatravés do emprego de geradores.

Desde 28 de janeiro já estiveram empenhados 11.666 militarescom 1.356 viaturas e 125 máquinas de engenharia.

Entre as ações realizadas, estão o resgate de 215 pessoas, 549 refeições distribuídas e 381 instalações para banhos ou 1.860 camas disponibilizadas em 15 unidades militares.

As Forças Armadas já repararam também mais de 86 habitações e edifícios públicos, disponibilizaram 42 equipamentos Starlink, têm 53 satélites em uso e forneceram 120 geradores, entre outras ações.



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