
Paulo Cunha / Lusa
Em 2017, o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, conforta o então presidente da Câmara Municipal de Pedrógão Grande, Valdemar Alves
Primeiro o fogo, agora a água. Para piorar a situação, o município queixa-se de situações de furto de “equipamentos essenciais ao funcionamento da rede de distribuição elétrica”.
Pedrógão Grande é um nome que ficará, para sempre, associado aos trágicos incêndios de 2017.
Em agosto do ano passado, o trauma do fogo voltou em força. Aquele concelho viveu um grande susto, com duas violentas frentes de fogo que obrigaram à evacuação dos moradores de cinco localidades: Marroquil, Torneira, Romão, Agria e Sobreiro.
Mas, depois de tanto fogo, a água é agora a maior das preocupações das gentes daquele município.
O presidente da Câmara de Pedrógão Grande, concelho do distrito de Leiria gravemente afetado pelo mau tempo, que se tem abatido sobre Portugal, estimou que 80% das casas tenham sido afetadas pelo mau tempo.
“Temos milhares de casas afetadas, 80% estão afetadas”, disse João Marquesà agência Lusa, adiantando que estão instalados cerca de 3.700 contadores de água no concelho.
Questionado sobre o estado do concelho, 11 dias após o impacto da depressão Kristin, o autarca declarou que está um “bocadinho melhor”, notando, contudo, que a ajuda prestada à população ainda “é um socorro muito débil”.
“Estamos a pôr lonas, plásticos, a repor telhas naquelas situações menos graves em que há telhas disponíveis”, explicou o presidente do município, salientando o espírito de entreajuda que permitiu, a muitas famílias, com ajuda de vizinhos resolverem os casos menos graves.
Voluntários dos EUA a Cabo Verde
Por outro lado, realçou o trabalho dos funcionários da autarquia, bombeiros, GNR, população, onde se contam muitos estrangeiros, e voluntários que chegam ao concelho.
A título de exemplo, adiantou que um grupo de pessoas oriundas dos EUA da América está em Pedrógão Grande e, na próxima semana, junta-se outro de cabo-verdianos que estudaram na escola profissional local.
“É um movimento de voluntariado extraordinário”considerou o autarca.
Depois da tempestade… o gamanço
De acordo com João Marques, o “grande problema” continua a ser a falta de eletricidade numa parte do concelho, agravada com furtos de material elétrico.
“Temos zonas no concelho que já tiveram energia e que deixaram de ter por causa destes roubos”, afirmou, assegurando que as autoridades estão atentas, mas é necessária “vigilância em relação às infraestruturas elétricas”.
Numa publicação nas redes sociais, o município de Pedrógão Grande manifestou preocupação com situações de furto de “equipamentos essenciais ao funcionamento da rede de distribuição elétrica”.
“Estes furtos têm provocado novas interrupções no fornecimento de energia em zonas já recuperadas, agravando os transtornos para a população”, lê-se na publicação, que pede à população uma “vigilância ativa”.
João Marques reiterou o pedido de solidariedade, “sobretudo na ajuda de mão de obra e materiais de construção”, para a reconstrução do concelho.
