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30 anos depois, o histórico caso do OVNI de Varginha chegou ao Congresso dos EUA



//Flávio Novi

Reconstrução 3D da criatura observada no “Incidente de Varginha”, pelo artista brasileiro Flavio Novi

Um neurocirurugião brasileiro testemunhou ter tido um encontro com um ser não humano “de grandes olhos lilases e altamente inteligente”. O chamado “Incidente de Varginha” é um dos episódios mais mediáticos e controversos da ufologia latino-americana.

Numa sala fechada, em Washington, três congressistas norte-americanos ouviram, com atenção pouco habitual para os corredores do Capitólio dos EUA, o relato de um neurocirurgião brasileiro que descreveu o que diz ter sido um contato direto com um ser não humanohá três décadas, no Brasil.

A reunião, realizada a 15 de janeiro à porta fechada, juntou congressistas que exigem mais transparência sobre os chamados “Fenómenos Anómalos Não Identificados” (UAP), ou OVNIscomo se chamavam antes, e um grupo de testemunhas brasileiras ligadas ao chamado “Incidente de Varginha”, um dos episódios mais mediáticos e controversos da ufologia latino-americana.

O encontro privado, seguido de uma conferência de imprensaa 20 de janeiro, no National Press Club, abriu caminho a uma possível cooperação informal entre interlocutores brasileiros e norte-americanos para tentar obter documentação e provas materiais, ausentes até hoje, que confirmem ou refutem as alegações.

Segundo o O interrogatórioo cineasta James Raposaque organizou a conferência, investiga o caso há mais de duas décadas e prepara uma nova versão alargada do seu documentário Momento de contatoem colaboração com o investigador brasileiro Marco Aurélio Leal.

Fox sustenta que a divulgação de nomes de pessoas que teriam vídeos das alegadas entidades pode, pela primeira vez, trazer ao caso evidências verificáveis; mas esses materiais continuam por publicar.

O “Incidente de Varginha”

As alegações remontam a 13 de janeiro de 1996 — curiosamente, o dia exato em que, há 30 anos, nasceu o aeuou isso. É uma mera coincidência, podemos assegurar que o nosso portal não tem nada de extraterrestre…

Segundo testemunhou aos congressistas o professor de geografia e piloto de ultraleve Carlos de Sousanesse dia terá observado, nos arredores de Varginha, no sul de Minas Gerais, um objecto cilíndrico “em forma de charuto” a perder altitude, com fumo, antes de cair perto de uma estrada.

Diz que se dirigiu ao local para procurar sobreviventes e que sentiu um odor intenso, comparado a amoníaco e ovos podres. No relato apresentado aos congressistas, afirma ter apanhado um fragmento semelhante a alumínioque amassou com a mão e que, de imediato, regressou à forma original.

Pouco depois, segundo diz, chegaram viaturas militares; um soldado ter-lhe-á apontado uma arma e ordenado que se afastasse. De Sousa afirma ainda ter sido ameaçado, mais tarde, por homens num veículo não identificado, que o advertiram para se manter em silênciorazão pela qual demorou a falar publicamente.

Uma segunda linha narrativa, a mais conhecida localmente, envolve o testemunho de três raparigas que, a 20 de janeiro de 1996, teriam encontrado num terreno baldio uma criatura “agachada”, de olhos vermelhos e pele castanha com aspecto oleoso, aparentemente em sofrimento.

Em depoimentos em vídeo recolhidos no Brasil, Liliane Silva descreve ter sentido “pânico” e a impressão de que a criatura estava a pedir ajuda. A irmã de Liliane, Valquira Silva, e a amiga Katia Xavier apontam pormenores semelhantes, incluindo a referência a que a criatura teria três dedos.

A mãe das irmãs, Luiza Helena da Silvaafirma ter voltado ao local e encontrado um rasto e um cheiro persistentee que homens vestidos de preto lhe ofereceram dinheiro para que as filhas dessem uma versão alternativa na televisão, uma proposta que afirma ter recusado.

O elemento mais sensível do dossier é o testemunho médico do neurocirurgião brasileiro Ítalo Venturelliatualmente com 73 anos, que diz ter visto um dos seres no hospital regional de Varginha, após a suposta captura pelas autoridades.

Perante os congressistas norte-americanos, o médico descreveu um paciente com olhos “lilases”, crânio em forma de gota e mãos com três dedos e um polegar. Disse que o ser transmitia “calma” e que, embora não fale em telepatiasentiu uma comunicação “empática” através do olhar.

Segundo Venturelli, um colega, Marcos Vinico Nevesentretanto falecido em 2018, teria suturado uma ferida craniana numa das criaturas.

O médico afirma que não foram guardados registos clínicos do procedimento e que viu apenas um breve vídeo a preto-e-branco antes de passar poucos minutos junto à cama. Alega ainda que outros profissionais poderiam corroborar o episódio, mas evitam fazê-lo por receio de represálias ou impactos na carreira.

Outro dos testemunhos foi o do médico-legista Armando Fortunatoque afirmou ter feito a autópsia de Marco Chereze, um agente que, segundo esta versão, teria agarrado uma das criaturas durante a captura e morrido semanas depois com uma infecção gravealegadamente após um arranhão.

Fortunato disse estar em curso um pedido legal para exumar o corpo, com o objectivo de recolher amostras bacterianas ou ADN para análise. Apresentou ainda uma declaração que refere a presença de uma bactéria rara e altamente agressiva, admitindo, como hipótese, uma origem não convencional.

A reunião decorreu no gabinete do congressista Tim Burchettcom a presença de Anna Paulina Luna e Eric Burlisontodos republicanos e defensores de mais abertura institucional sobre os UAP. Jared Moskowitz e Andre Carsondemocratas interessados no tema, foram convidados mas não compareceram.

O debate sobre transparência ocorre num contexto em que o Departamento de Defesa mantém uma posição oficial céptica quanto à origem extraterrestre dos relatos.

A narrativa ganhou força nos EUA após declarações sob juramento de antigos funcionários do governo, incluindo o de David Grushque em 2023 afirmou no Congresso ter havido recuperações de veículos e “biológicos” de origem exótica.

No evento de 20 de janeiro, Kirk McConnellex-assessor de comissões de defesa e informações do Senado, afirmou ter ouvdo relatos semelhantes em instalações classificadas, e que alguns senadores, incluindo o atualmente secretário de Estado Marco Rubioreceberam testemunhos considerados credíveis.

Numa mensagem em vídeo, o cientista Jacques Vallee afirmou que uma base de dados compilada para a Defense Intelligence Agency inclui centenas de relatos de criaturas alienígenas, associadas a quedas ou aterragens de veículos desconhecidos, alguns com semelhanças ao “Incidante de Varginha”, e outros ligados a projectos da NASA e DARPA.

Após a conferência de dia 20, as gravações em vídeo dos testemunhos apresentados no congresso, e alguns documentos, incluindo o relatório da autópsia de Marco Chereze, foram disponibilizados online.

Mas apesar do aparato político e mediático, o caso continua sem os elementos que, em jornalismo de investigação, permitam validação independente: não há fotos, vídeos, relatórios oficiais, registos clínicos ou evidência física que permita confirmar a existência das criaturas envolvidas no “Incidente de Varginha”.

O que existe é um conjunto de depoimentos, alguns recentes, outros recuperados após décadas de silêncio, que descrevem episódios compatíveis entre simas que permanecem, até agora, no domínio das alegações.



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