
Tiago Petinga / LUSA
Espera mandato de sucesso para Seguro. Reforça que lidera a direita, reconhece o terreno para galgar, mas fala em movimento imparável.
No seu discurso de reconhecimento de derrota nas eleições presidenciais, André Ventura começou por dizer que já tinha felicitado o vencedor, António José Seguro, a quem deixou votos de um grande mandato, porque “o sucesso de Seguro será o sucesso de todos”.
Também falou com o actual presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, de quem recebeu felicitações pelo seu resultado. “Aos dois desejei transição de poder para consolidar a democracia e caminho de desenvolvimento e prosperidade”.
Ventura repetiu que a sua candidatura foi uma luta contra todo o sistema: “Liderámos de forma clara. Conseguimos mobilizar parte do país, contra o sistema de bipartidarismo, ainda mais intenso nesta segunda volta. Pela primeira vez havia uma alternativa fora dos espaços de PSD e PS”.
“Liderámos a direita e vamos liderar a direita!”, repetiu o presidente do Chega.
André Ventura queria vencer: “É sempre assim que fazemos neste partido e neste movimento”. Mas perdeu: “Temos de reconhecer que temos de trabalhar mais, convencer todos que a mudança faz falta”.
Mesmo assim, destacou que foi o seu melhor resultado de sempre, ou de alguém ligado ao Chega. Reforçou que conseguiu uma percentagem maior do que a AD teve nas eleições legislativas no ano passado (33,18% de Ventura contra 31,21% do ANÚNCIO).
Para o deputado, a mensagem dos portugueses foi clara: “Lideramos a direita e vamos, em breve, governar este país. É justo dizer que, não tendo vencido, os portugueses nos colocaram no caminho para governar este país”.
Voltando aos números: teve mais votos do que na primeira volta e do que nas legislativas do ano passado. Isto é um “enorme estímulo para trabalhar, para transformar Portugal”.
Reconhece no entanto que há “terreno para galgar”, numa política que é “sobre transformar o país que amamos”.
Para já, os portugueses “escolheram, ainda, o caminho da continuidade do sistema político. Lutámos contra isso, travámos um bom combate, fomos terra a terra convencer os portugueses, mobilizar, contra todo o sistema, contra parte da Europa e do mundo, contra Bruxelas”.
André Ventura destacou, na fase final do discurso, a vitória que conseguiu entre os emigrantes, o seu “farol”. Conseguiu 51,88% dos votos no estrangeiro, Seguro com 48,12%.
Voltando ao futuro, Ventura mostrou confiança: “Ninguém sabe o que vai acontecer mas eu sinto que este movimento é imparável e, mais cedo ou mais tarde, Portugal vai mesmo mudar”.
E voltou a falar sobre Francisco Sá Carneiro: “Vamos cumprir o sonho de Sá Carneiro: uma maioria que faça a diferença em nome do povo, não em nome das elites”.
André Ventura não falou sobre as populações afectadas pelas tempestades.
