
Estela Silva / LUSA
José Luis Carneiro (PS) vota nas eleições presidenciais
Carneiro destacou que a vitória nas presidenciais é sobretudo do candidato…e dos socialistas. Brilhante Dias colocou distâncias.
António José Seguro venceu as eleições presidenciais com praticamente 67% dos votos na segunda volta.
Assim, o próximo presidente da República, e anterior secretário-geral do PS, conseguiu um resultado muito diferente do que o PS teve nas últimas eleições legislativono ano passado: praticamente 23% dos votos.
Mas o resultado de Seguro não é o resultado do PSnem é sinónimo obrigatório de que os socialistas vão subir muito nas próximas eleições, muito menos triplicar a sua percentagem.
A vitória de António José Seguro, sim, dá-lhe “segurança, legitimidade e conforto”, tal como resumiu a comentadora Clara Ferreira Alves na SIC.
Na noite das presidenciais, José Luís Carneiro disse que esta é uma vitória “em primeiro lugar de António José Seguro e dos humanistas”, mas logo a seguir o líder do PS também disse que era uma vitória dos “socialistasdos sociais-democratas e dos democrata-cristãos”.
Mas, por outro lado, um grande factor para esta vitória histórica foi a “exclusão de partes”como resume Anselmo Crespo na rádio Observador: primeiro, dentro do PS não apareceu mais ninguém; na segunda volta, tornou-se claramente o candidato da esquerda; e, também na segunda volta, o adversário era André Ventura.
Ou seja, como o próprio Ventura disse, nesta segunda volta foi um duelo entre quem quer Ventura contra quem rejeita Ventura. E o segundo grupo venceria, fosse qual fosse o seu adversário. E venceu.
Na Antena 1, Eurico Brilhante Dias sugeriu que seria um erro, mesmo um disparate, dizer que o PS passou a estar ao nível dos 67% de António José Seguro – tal como seria um disparate dizer que o Chega passará a ter 33% dos votos porque André Ventura teve essa percentagem.
São candidaturas individuais, são eleições presidenciais e só havia dois nomes no boletim de voto. Nada disso acontece nas legislativas, com partidos envolvidos e com 15 ou 20 possibilidades no boletim.
No discurso de vitória, na noite passada, Seguro foi questionado sobre um eventual balão de oxigénio para o PS, após a sua vitória. O futuro presidente da República foi claro: “A vida do PS é com o líder do PS”.
