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Os colchões velhos de hoje podem salvar vidas nos incêndios de amanhã



Nuno André Ferreira / Lusa

Espuma de colchões usados pode transformar-se em isolamento “cultivado” com fungos e resistente ao fogo, garantem investigadores, em novo estudo.

Colchões antigos podem ganhar uma segunda vida como material de construção resistente ao fogo, numa abordagem inovadora que pede a ajuda de fungos.

A proposta é descrita por cientistas da Universidade de Tecnologia de Swinburne e foi apresentada na revista Relatórios Científicos. A ideia dos cientistas passa por usar fungos para “crescer” um tipo de isolamento leve e sólido.

De acordo com o estudo, a equipa responsável desenvolveu um processo que combina espuma de colchões triturada com o fungo Penicillium chrysogenum. À medida que o fungo se desenvolve, liga-se fisicamente à espuma e promove a formação de compostos minerais. Esses minerais, segundo os autores, permitem ao material suportar temperaturas próximas dos 1.000 ºC.

O resultado é um material leve, mas estruturalmente coesocom desempenho próximo do de soluções de isolamento já usadas em casas e escritórios.

Os colchões estão entre os produtos mais difíceis de reciclar e pode demorar cerca de 120 anos a decompor-se, lembra o coautor do estudo, O Hong Phong Nguyenem comunicado. A sua durabilidade, volume e composição tornam o processo de reutilização complexo e caro, mas essas mesmas características podem aparentemente ser vantajosas para servir de “substrato” ao crescimento fúngico: quase como uma espécie de “campo de cultivo” onde o organismo se fixa e transforma o resíduo.

A aplicação de um eventual produto baseado nesta inovação pode ir além do isolamento, como painéis resistentes ao fogo e componentes para métodos de construção emergentes, como edifícios produzidos por impressão 3D. Apesar do potencial, os cientistas reconhecem que a tecnologia ainda está longe de uma aplicação comercial e, mesmo que avance, não resolverá rapidamente a crise global de resíduos de colchões.



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