
Adrian Dennis/AFP
A primeira atleta transgénero apurada para os Jogos Olímpicos, Laurel Hubbard
Uma meta-análise de 52 estudos que incluiu mais de 5.000 pessoas transgénero sugere que a aptidão física das mulheres transgénero após terapia hormonal é comparável à das mulheres cisgénero.
As mulheres transgénero que foram submetidas as terapias hormonais apresentam uma aptidão física comparável à das mulheres cisgénero.
É a conclusão de uma revisão, publicada na semana passada no Jornal Britânico de Medicina Esportivaque analisou 52 estudos de avaliação à composição corporal, à força muscular e à capacidade aeróbica de quase 6.500 indivíduos, incluindo cerca de 2.900 mulheres transgénero e 2.300 homens transgénero.
Embora o estudo contrarie a alegação de que as mulheres trans têm uma vantagem inerente e injusta devido a determinados traços físicos de base, importa referir que não analisou atletas de elite nem capta todos os elementos que entram no desempenho desportivo.
Embora os níveis circulantes de testosterona pareçam aumentar a massa muscular, a força e a capacidade aeróbica, as proibições argumentam frequentemente que a exposição passada à testosterona durante a puberdade confere aos indivíduos uma vantagem física permanente e inerente sobre as mulheres cisgénero.
Para verificar se isso era verdade, os investigadores reuniram dados de muitos estudos que utilizaram diferentes abordagens e medidas para comparar a aptidão física em pessoas transgénero e cisgénero. Os participantes do estudo tinham entre 14 e 41 anos, e a maioria eram adultos.
Uma das conclusões foi que, quando normalizadas em função da altura, “as mulheres transgénero, após terapia hormonal de afirmação de género, não apresentam maior força nem maior capacidade aeróbia do que as mulheres cisgénero” – explicou o líder da investigação, Bruno Gualanodo Centro de Medicina do Estilo de Vida da Universidade de São Paulo, à Ciência Viva.
Isso incluía tanto a força da parte superior como da parte inferior do corpo.
As mulheres transgénero também apresentaram uma massa gorda comparável à das mulheres cisgénero. “Têm uma massa magra ligeiramente superior”, disse Gualano, “mas isso não se traduz em maior força ou maior consumo máximo de oxigénio”.
“A maioria dos participantes incluídos na análise não eram atletas competitivos, pelo que devemos ser cautelosos ao extrapolar diretamente para o desporto de elite”, reconheceu o investigador.
“Ainda assim, se existissem grandes vantagens físicas intrínsecas, esperar-se-ia observá-las mesmo em populações não atléticase não é isso que vemos”, acrescentou.
“Os resultados desafiam a noção de que as mulheres trans têm vantagens atléticas intrínsecas”, confirmou, à Live Science, Lá está Cheungendocrinologista e diretora do Grupo de Investigação em Saúde Trans da Universidade de Melbourne (Austrália), que não esteve envolvida no estudo.
“Contrariamente às narrativas usadas para afastar atletas transgénero do desporto, não há qualquer evidência de que as mulheres transgénero tenham algum tipo de vantagem”, concordou, à mesma revista, Phoebe Toups Dugasprofessora de computação centrada no ser humano no Exertion Games Lab da Universidade de Monash (Austrália), que também não participou no estudo.
