
A ideia de que as fêmeas são, por definição, mais “cuidadoras” e menos agressivas do que os machos não se verifica, muitas vezes, na natureza, onde a ‘cantiga’ é outra. Das canibais aos machos “lapas”, eis as 11 fêmeas mais fatais do reino animal.
Em várias espécies, são elas, e não eles, que caçam, defendem territórios e crias, competem entre si e recorrem a estratégias extremas para garantir recursos. E não estamos a falar só do clássico exemplo da leoa.
A necessidade de energia para produzir ovos ou gestar, a proteção de ninhadas, a competição reprodutiva e, em alguns casos, a própria anatomia — como acontece com abelhas e vespas , em que o ferrão é uma estrutura ligada à postura de ovos — contribuem para esta realidade.
Eis um retrato, espécie a espécie, de 11 “fêmeas mortíferas” citadas pela BBC como exemplos máximos de ferocidade no mundo animal.
1. Aranhas e a estratégia do canibalismo sexual
Uma aranha viúva negra
Muito provavelmente já tinha ouvido que, em várias espécies de aranhas, o acasalamento pode terminar com o macho a ser devorado. Este “canibalismo sexual” ocorre antes, durante ou após a cópula e pode trazer benefícios diretos à fêmea, como nutrientes, para a produção de ovos.
UM viúva-negra é o caso mais conhecido, mas não é o único. Do lado dos machos, a evolução também “respondeu”: há espécies em que tentam distrair a parceira com uma “prenda” alimentar, fingem-se de mortos ou usam manobras rápidas para escapar.
2. ‘Mosquitas’, as mais letais para humanos
Centros de Controle e Prevenção de Doenças / Wikimedia
Anopheles, mosquito da Malária
Os mosquitos são os animais que mais mortes humanas causam anualmente, sobretudo por transmitirem doenças como a malária, que causa mais de 600 mil mortes por ano. A fatalidade é responsabilidade das fêmeas, já que são elas que, em muitas espécies, precisam de sangue para maturar ovos.
A picada em si não é “mortal”; o perigo está nos parasitas e vírus que podem ser inoculados. Entre milhares de espécies, apenas as do género Anófeles estão associadas à transmissão de malária.
3. Louva-a-deus decapita em plena reprodução
Nos louva-a-deus, também há registos de canibalismo sexual. A fêmea, maior em tamanho, pode morder e arrancar a cabeça do macho durante a cópula, um comportamento que não impede a reprodução, porque o macho pode continuar a acasalar mesmo decapitado, devido ao funcionamento do seu sistema nervoso.
A fêmea, por sua vez, morre pouco tempo depois de pôr os ovos. É uma situação perder-perdermas foi assim que a natureza mandou.
4. Anaconda-verde: gigante, dominante, canibal
A anaconda-verde é conhecida pelo seu enorme tamanho quando fêmea. Durante a época reprodutiva, pode formar-se uma “bola de acasalamento” com uma fêmea e vários machos, durante semanas.
A fêmea pode comer alguns machos — um comportamento raro em vertebrados, mas compatível com a elevada exigência energética: a gestação pode implicar jejum prolongado e o nascimento de 20 a 30 crias vivas.
5. Peixe-pescador: a fêmea caça, o macho “funde-se”
Nos peixes-pescadores das profundezas, os papéis são tão diferentes que parecem espécies distintas.
O macho, minúsculo, tem como missão encontrar uma fêmea e fixar-se a ela, fundindo-se ao corpo e passando a depender dos seus nutrientes. A fêmea é a caçadora: usa uma isca bioluminescente para atrair presas num ambiente onde a comida é escassa.
6. Suricatas e competição forte dentro do clã
Apesar do ar “adorável”, as suricatas fêmeas podem ser muito violentas. A matriarca tende a monopolizar a reprodução e a intimidar rivais com agressividade e dominância.
Se outras fêmeas conseguem ter crias, podem ser expulsas, e há relatos de infanticídio, incluindo de consumo das crias de subordinadas.
7. Leoas e a força do trabalho em equipa
Num bando de leões, os machos podem dominar o imaginário popular, mas são as leoas que fazem a maior parte da caça, como muita gente já sabe.
Elas trabalham em grupo, com coordenação, velocidade e resistência para derrubar presas maiores. A “letalidade” é coletiva: a eficácia depende menos de um indivíduo e mais da estratégia do grupo.
8. Gavião-d’asa-redonda: o tamanho importa
Em várias aves de rapina, a fêmea é maior do que o macho. No gavião-d’asa-redonda, essa vantagem de tamanho traduz-se em força adicional para capturar presas maiores.
Ainda assim, durante a fase de incubação e criação, a fêmea pode depender do macho para alimento, porque fica mais tempo no ninho.
9. Bonobos e coligações de fêmeas
Bonobo ou chimpanzé-pigmeu
Os bonobos são muitas vezes apresentados como mais tolerantes do que os chimpanzés, mas isso não significa que são meiguinhos. Em sociedades matriarcais, as fêmeas podem formar coligações para enfrentar machos ameaçadores.
10. Cobra-real: a fêmea pode atacar
A cobra-real é grande e venenosa, mas tende a evitar humanos. A exceção mais perigosa é quando está em defesa do ninho: uma fêmea a incubar ovos tem menos margem para fugir e pode atacar se se sentir encurralada. A potência do veneno tem neurotoxinas suficientes, em teoria, para matar dezenas de pessoas.
11. Abelhas e vespas: o ferrão é “feminino”
Exemplar de abelha da espécie Bombus terrestris
No caso de abelhas e vespas, a diferença é anatómica: os machos não ferram. O ferrão é uma estrutura derivada do ovipositor, ligado à postura de ovos. Em espécies particularmente agressivas, como certas vespas de grande porte, quem pica e defende colónias são elas.
