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voluntários, o coração do São João



José Coelho / Lusa

Hospital de São João, Porto

No Dia Internacional do Doente, 11 de fevereiro, o JPN foi ao Hospital de São João para entender qual o papel dos voluntários na unidade hospitalar e como seu trabalho influencia os pacientes que a frequentam. De jalecos amarelos, facilmente identificáveis ​​nos corredores, eles têm uma missão simples, mas essencial: estar sempre prontos para ajudar.

No Dia Mundial do Doente, 11 de fevereiro, os Jalecos Amarelos marcaram a data com um presente feito especialmente para os pacientes do Hospital São João.

A Associação de Voluntariado do Hospital de São João foi criada em 1985, a partir de um corpo de voluntariado de apoio aos pacientes, com o objetivo de humanizar a relação do hospital com a comunidade. O projeto foi impulsionado pela Dr. ª Maria Teresa Salgado. Desde 2000, a associação é uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) em Saúde, tutelada pelos Ministérios da Saúde e da Solidariedade, Emprego e Segurança Social e protocolada com o Centro Hospitalar Universitário de São João EPE

“Atualmente, a nossa principal missão é apoiar os doentes e os familiares no que eles precisarem”, afirmou Elsa Barros, coordenadora geral da associação, em declarações ao JPN.

Na ala dos cuidados humanizados

No Hospital Dia, ala onde as poltronas ficam lotadas todos os dias com mais de 250 pacientes, Manuela Batista, voluntária há 25 anos, distribuiu entre os pacientes um coração de espuma, nada mais que uma bola anti-stress, para que eles possam “entreter as mãos” enquanto realizam os tratamentos.

A voluntária de 77 anos, olha para o trabalho que tem todos os dias como algo gratificante e admite sentir por parte dos pacientes com quem convive diariamente, uma resposta sempre positiva.

Manuela relembra uma história particularmente marcante: três meses depois de começar o trabalho voluntário, uma paciente lhe pediu, momentos antes de falecer, para ficar ao seu lado e segurar sua mão. “Ela tinha os filhos diariamente aqui. Pedia umas coisas a mim e não a eles. Ela tinha uma confiança em mim extraordinária”, relembra.

230 voluntários a serviço dos doentes

Elsa Barros entrou para a associação em 2019 como voluntária, e em abril do ano passado assumiu funções como coordenadora geral. O desejo de integrar o voluntariado surgiu por influência familiar: “Veio por parte de familiares que também eram voluntários”, confirmou.

A associação conta atualmente com 230 voluntários, numa proporção aproximada de 70% mulheres e 30% homens. Devido ao seguro de trabalho de cada voluntário, o limite máximo de idade para ingressar no voluntariado é de 70 anos, embora haja voluntários entre 30 e 60.

A escassez de jovens voluntários prende-se, segundo a coordenadora, com a instabilidade dos seus percursos de vida. Para colmatar essa dificuldade, a associação está a preparar uma nova iniciativa: juntar voluntários mais jovens com voluntários experientes, garantindo continuidade caso surjam imprevistos.

Além disso, existe um protocolo com a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), através de uma unidade curricular de Humanização, no âmbito da qual os estudantes realizam 40 horas de voluntariado na associação.

Ao lado dos doentes

A dedicação dos voluntários do S. João é reconhecida pelos pacientes de forma perceptível. No Hospital de Dia, Maria Pinto, de 74 anos, que realiza tratamentos de quimioterapia duas vezes por semana, preza a boa vontade de quem anda pelos corredores todos os dias de bata amarela: “Elas são muito simpáticas e ajudam muito. É uma mais-valia. Muito bom. Bem-haja”, vincou.

Pacientes que frequentam o Hospital Dia olham para a ação dos voluntários como necessária e eficaz, destacando que o clima fica mais alegre quando o amarelo aparece em meio às salas cinzas.

Mesmo que por pouco tempo, os voluntários confessam criar um certo grau de afinidade com os pacientes com quem passam mais tempo e que, muitas vezes, acabam por ver crescer.

A atuação da associação estende-se a diversos serviços do hospital, de segunda a sexta-feira, incluindo internamentos, ortopedia e cirurgia. Nas urgências, o papel dos voluntários é particularmente relevante.

Presentes todos os dias, entre 9h e meia-noite, em quatro rodízios, são em sua maioria voluntários com mais de 35 anos. No pronto-socorro, o principal apoio é dado aos acompanhantes e familiares. Após a entrada do paciente, os familiares só podem visitá-lo três horas depois, por períodos de dez a 15 minutos. Mediante indicação administrativa, é o voluntário que acompanha o familiar até o paciente e o reconduz à sala de espera ao final do tempo permitido, repetindo o processo ao longo do dia.

Nas consultas ambulatoriais, os voluntários ajudam a validar consultas e exames, orientam usuários dentro do hospital e acompanham pacientes cadeirantes até os serviços correspondentes, recolhendo posteriormente os equipamentos. O mesmo acontece em situações de alta hospitalar.

Na ala de pediatria, Anita Pires, voluntária há 16 anos, afirma que muitas crianças já deixaram uma marca em sua trajetória: “Toda vez que as crianças vêm às consultas elas lembram até talvez mais de nós, do que nós delas”, explicou.

Armando Espírito Santo, que faz parte da equipe há três anos, é um dos voluntários que recebem os pacientes em uma das áreas de recepção do hospital. Aos 67 anos, ela compartilhou que se juntou a essa iniciativa por gostar de ajudar e estar com pessoas: “Eu gosto muito de relações públicas e também tenho uma certa sensibilidade para essas coisas”, ressaltou.

Formação e compromisso

O processo de candidatura para entrar na associação pode ser feito na secretaria do hospital ou através do site da associação. Após análise das candidaturas, os selecionados passam por duas entrevistas, e a colocação nos serviços é feita de acordo com o perfil e as características de cada voluntário, sendo o horário ajustado à sua disponibilidade.

Todos recebem formação geral inicial e, ao longo do ano, participam em formações específicas ministradas por médicos ou enfermeiros dos serviços onde exercem funções. Ao fim de um mês, os voluntários são avaliados e realizam uma autoavaliação. O processo repete-se aos seis meses e ao completar um ano.

No aniversário da associação é realizada uma cerimônia de compromisso, momento em que é colocado um “V” no jaleco dos voluntários, deixando estes de ser estagiários para se tornarem voluntários efetivos.

Apoio social além do hospital

Através de indicação do Serviço Social, a associação garante, durante o primeiro mês, a medicação necessária a alguns pacientes, evitando retornos desnecessários ao hospital. Também presta apoio com transporte, nomeadamente para pacientes de psiquiatria e terapia ocupacional, e distribui roupas e cestas básicas para outros pacientes que necessitem.

O financiamento da associação vem principalmente dos dois bares e do bazar localizados no hospital, bem como das taxas de associação.

“Não substituímos profissionais”

Elsa Barros ressaltou que os voluntários “não estão no hospital para substituir nenhum profissional”. O objetivo é fazer “o que médicos e enfermeiros não têm tempo” de fazer. Às vezes, explicou, são gestos simples, como “estar junto com os pacientes”.

A coordenadora reforça ainda que a associação “está sempre precisando de voluntários”, convocando a participação da comunidade.

Ao longo do ano, os Batas Amarelas marcam vários dias no calendário com uma abordagem diferente da habitual, entre eles o Dia Mundial do Doente.

Esse dia foi instituído pelo Papa João Paulo II, em 1992. A distinção da data foca na conscientização das famílias e dos profissionais sobre a necessidade de apoiar os pacientes em suas necessidades. A iniciativa tem como foco a humanização do atendimento das pessoas doentes.



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