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Rússia atinge Ucrânia com míssil com capacidade nuclear perto da fronteira da UE e da NATO



OTAN / Flickr

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha (esq) com o Secretário Geral da NATO, Mark Rutte

O uso por Moscovo do míssil hipersónico Oreshnik constitui “uma grave ameaça” à segurança europeia, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano.

Moscovo anunciou esta sexta-feira que as suas forças armadas lançaram um “ataque massivo” contra a Ucrânia durante a noite, incluindo um míssil com capacidade nuclear.

O ataque, com um míssil balístico Oreshnik “imparável” que atinge Londres em 8 minutosfoi descrito como uma retaliação por um alegado ataque não verificado a uma residência pertencente ao presidente russo Vladimir Putin.

O Oreshnik atingiu a região de Lviv, perto da fronteira oriental da UE e da NATO, escreveu o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybihanuma publicação no X, que salientou que o ataque representa “uma grave ameaça à segurança no continente europeu”.

Esta é apenas a segunda vez conhecida que Moscovo usa o míssil hipersónico Oreshnik, que é capaz de transportar armas nuclearesdepois de em novembro de 2024 ter sido usado pela primeira vez contra a região ucraniana de Dnipro.

O ataque à região de Lviv fez parte de uma ofensiva russa mais ampla em toda a Ucrânia, nota o Político.

O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy afirmou que a escala e o momento do ataque sublinharam a intenção de Moscovo de maximizar os danos à população civil. Segundo Zelenskyy, a Rússia visou principalmente instalações energéticas e infraestruturas civis.

“O ataque ocorreu precisamente quando havia uma vaga de frio significativo – direcionado exatamente contra a vida normal das pessoas comuns“, escreveu Zelenskyy no X.

É necessária uma reação clara do mundosobretudo dos Estados Unidos, cujos sinais a Rússia verdadeiramente escuta”, disse Zelenskyy. “A Rússia tem de sentir consequências sempre que volta a concentrar-se em assassínios e na destruição de infraestruturas.”

“É absurdo que a Rússia tente justificar este ataque com um falso ‘ataque à residência de Putin’ que nunca aconteceu“, acerscentou Andrii Sybiha na sua publicação no X. “Esta é mais uma prova de que Moscovo não precisa de razões reais para o seu terror e guerra“.

Além do míssil Oreshnik, o ataque russo incluiu outros 13 mísseis balísticos22 mísseis de cruzeiro e 242 drones, afirmou Zelenskyy, que acrescentou que um edifício da Embaixada do Qatar foi danificado por um drone russo.

O apelo da Ucrânia a uma forte resposta internacional à mais recente agressão russa surge numa altura em que Kiev continua a discutir esforços para pôr fim à guerra de quase quatro anos com aliados europeus e norte-americanos.

No início desta semana foi alcançado um acordo sobre o destacamento de uma força multinacional na Ucrânia no caso de um acordo de paz com a Rússia.

O Comando Aéreo Ocidental da Ucrânia afirmou numa publicação no Facebook que o míssil Oreshnik de alcance intermédio que atingiu Lviv viajava a quase 13.000 quilómetros por horacom relatos nas redes sociais a indicar que o ataque ocorreu apenas minutos depois de soarem as sirenes de ataque aéreo.

A administração militar regional de Lviv afirmou que especialistas realizaram testes no local e análises laboratoriais após o ataque. “O nível de radiação está dentro dos limites normais”, disseram, acrescentando que não foram detetadas substâncias nocivas no ar.

Sybiha anunciou que a Ucrânia irá solicitar uma reunião urgente do Conselho de Segurança das Nações Unidas em resposta ao ataque.

“Um lançamento deste tipo perto das fronteiras da UE e da NATO é uma séria ameaça à segurança no continente europeu e um teste para a comunidade transatlântica”, escreveu Sybiha. “Exigimos uma resposta decisiva às ações imprudentes da Rússia.”

No final de dezembro, Moscovo colocou mísseis Oreshnik estacionados na Bielorrússia em “serviço de combate”. As armas tinham sido solicitadas pelo presidente bielorrusso Alexandre Lukashenkoque citou preocupações com a presença de tropas polacas e lituanas perto da fronteira ocidental do seu país.

Putin afirmou um ano antes que Moscovo planeava produzir em massa os poderosos mísseis Oreshnik a fim de “proteger a segurança da Rússia e dos nossos aliados.”



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