
Tiago Petinga / Lusa
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, acompanhado pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro
O candidato presidencial Cotrim de Figueiredo considera que a pressão que Marcelo Rebelo de Sousa está a exercer sobre o Governo em matéria de saúde pode estar a ser insuficiente.
No final de uma visita à Praça da Fruta das Caldas da Rainha, no distrito de Leiria, este sábado, o candidato, apoiado pela Iniciativa Liberal, referiu que o país ficou a saber na sexta-feira à noite que o Presidente da República fala frequentemente sobre o tema com o primeiro-ministro.
Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que já falou com o primeiro-ministro na quinta-feira sobre as mortes ocorridas sem que tenha chegado socorro e considerou que Luís Montenegro está “consciente da importância do problema”.
“Pelos vistos, nós desconhecíamos que estes contactos são, aparentemente, diários ou quase diários com o seu primeiro-ministro sobre os temas da saúde”, referiu Cotrim de Figueiredo.
O liberal disse não querer ser “injusto” com Marcelo Rebelo de Sousa, até porque diz desconhecer a “natureza e o tom” dos contactos. No entanto, considera que a pressão que exerce sobre o Governo em matéria de saúde pode ser insuficiente.
O eurodeputado reconheceu que, institucionalmente, o Presidente da República deve falar destes temas com o primeiro-ministro.
“E só perante um caso de extrema gravidade ou impossibilidade de resolver de outra forma é que essas pressões devem ser tidas fora do âmbito restrito dos contactos privados do Presidente da República com o primeiro-ministro”, apontou o antigo líder da IL, acompanhado da ex-deputada do PSD Liliana Reis.
Em sua opinião, estas questões relacionadas com a saúde devem ser tratadas com Luís Montenegro e não com a ministra.
“E a composição do Governo ao primeiro-ministro compete. Portanto, seria uma confusão se o Presidente da República começasse a ter em relação ao ministro A ou ministro B contactos diretos”, vincou.
Marques Mendes defende Marcelo
O candidato presidencial Marques Mendes disse compreender as críticas “perfeitamente legítimas” que tem ouvido sobre saúde. No entanto, defendeu que o problema só se resolve com mudanças estruturais, considerando que um chefe de Estado não tem de avaliar ministros.
No final de um contacto com a população em Viana do Castelo, Marques Mendes foi questionado pelos jornalistas sobre as críticas que tem ouvido na rua a Ana Paula Martins, pouco depois de ter ouvido uma senhora dizer que a ministra da Saúde “não presta e tem de ir para a rua”.
“Eu compreendo as críticas das pessoas, as pessoas dirigiram-se a mim com preocupações mais do que legítimas. Enquanto não forem introduzidas algumas mudanças estruturais na organização e na gestão do Serviço Nacional de Saúde, eu acho que, infelizmente, vários destes problemas vão manter-se”, disse.
Questionado se não é mais duro com a ministra Ana Paula Martins porque a ministra é de um governo do PSD, o candidato apoiado por este partido e pelo CDS-PP respondeu negativamente.
“Não, por uma razão muito simples. Defini há muitos meses que um Presidente da República não tem que avaliar um ministro nem pedir a demissão de um ministro. Isso não é tarefa do Presidente da República”, afirmou.
Mendes considerou que a maior exigência que pode colocar ao Governo é exigir medidas estruturais, que até detalhou, e que defendeu como “inevitáveis”.
