
Apresentação de Taian Em Portugal, Gruc Chance Chang
Apesar do chumbo de seis propostas relacionadas com Taiwan no parlamento português, as relações entre Taipé e Lisboa mostram sinais de progresso, afirmou esta sexta-feira a representante de Taiwan em Portugal.
Numa votação em plenário nesta sexta-feira, o Parlamento português rejeitou todas as seis moções relativo a Taiwanincluindo propostas para estabelecer um escritório de representação português em Taipé.
As propostas foram apresentadas pela Iniciativa Liberal (IL), que submeteu duas moções, incluindo uma que apelava ao estabelecimento de um escritório de representação em Taiwan e outra que instava o Governo a corrigir o que descreveu como tratamento administrativo e institucional inadequado uma Formosa.
Propostas semelhantes foram apresentadas pelo PAN e Bloco de Esquerda, que propôs o reforço das relações com Taiwan respeitando os laços diplomáticos de Portugal com a China. Já o Chega apelou ao Governo que desempenhe um papel mediador no alívio das tensões entre Pequim e Taipé.
Quando questionada sobre o resultado, Graça maravilhaembaixadora de Taiwan em Portugal, disse à CNA que o desfecho, embora aquém do esperado“de certa forma demonstra claramente que as questões relacionadas com Taiwan estão a ganhar maior atenção na Assembleia da República de Portugal”.
Numa publicação no Facebook, a representação taiwanesa agradeceu em particular à Iniciativa Liberal “por ter apresentado, na Assembleia da República, iniciativas sobre Taiwan que incentivam o governo português a aprofundar a interacção com Taiwan”.
Chang afirmou ainda estar grata pelo facto de alguns deputados terem optado por se abster em vez de votar contra as propostasque a representante vê como um gesto de apoio.
Embora as moções tenham sido rejeitadasa representante taiwanesa considera que a maior visibilidade das questões relacionadas com Taiwan e o crescente envolvimento transpartidário têm um “significado positivo”.
Chang acrescentou que os meios de comunicação social generalistas em Portugal começaram a prestar maior atenção a Taiwan no último ano, citando a “cobertura alargada de órgãos de comunicação como o Observador” como outro sinal encorajador.
Numa entrevista telefónica à CNA, o deputado da IL Rui Rocha afirmou que as propostas se baseavam no “bom senso” e numa “abordagem pragmática”, e salientou que Portugal e Taiwan já mantêm laços económicosinvestimento mútuo, intercâmbios turísticos e comunidades de expatriados em ambos os países.
“Não devemos negar a realidadee devemos criar o ambiente adequado a este tipo de relações que se constroem na realidade”, afirmou Rocha, que sublinhou a importância de Taiwan nas indústrias globaiscomo a dos semicondutores.
Segundo Rui Rocha, o reforço das relações “não é uma questão de geopolítica“, mas antes uma questão de interesse para os povos da Europa, de Portugal e de Taiwan.
O deputado da IL considera que Portugal se mantém mais prudente do que muitos outros países europeus, a maioria dos quais já mantém escritórios de representação em Taiwan, e descreve a posição de Portugal como “excessivamente cautelosa“.
Para Rui Rocha, é incoerente que Lisboa acolha um escritório de representação taiwanês sem estabelecer um escritório português em Taipé.
Portugal não reconhece oficialmente Taiwancujo nome formal é República da China, como país independente. A soberania da ilha, outrora Formosa, é reclamada historicamente pela República Popular da China — ou “China continental“.
Apenas 12 países reconhecem oficialmente Taiwan como Estado soberano: Belize, Eswatini, Guatemala, Haiti, Ilhas Marshall, Nauru, Palau, Paraguai, São Cristóvão e Nevis, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas e Tuvalu.
Embora a maior parte dos países não reconheça diplomaticamente Taiwan, muitos mantêm com Taiwan relações económicas, culturais e consulares, não oficiaisatravés de escritórios de representação.
