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Porque a CIA não pode confirmar nem desmentir que está a investigar o 3I/ATLAS



Projeto Telescópio Virtual

Imagem do 3I/ATLAS a 30 de dezembro de 2025, obtida a partir de nove exposições de 120 segundos, captadas com o telescópio do Projeto Telescópio Virtual em Manciano, Itália

Pela primeira vez, a CIA não confirma nem nega a existência de uma investigação sobre um objeto interestelar. O 3I/Atlas parece um cometa, mas as suas anomalias desafiam explicações científicas. Segundo Avi Loeb, a agência está a analisar o objeto para descartar que se trate de um “evento cisne negro”.

Até ao momento, o 3I/ATLASterceiro visitante interestelar conhecido, apresentou uma série de características inexplicáveis relativamente aos cometas conhecidos, que foram recentemente enumeradas pelo famigerado astrónomo Avi Loeb.

Seria de esperar que estes enigmas desencadeassem um debate científico saudável sobre a natureza do 3I/ATLAS, diz o astrónomo de Harvard num artigo de opinião publicado no O Confidencial.

Contudo, as autoridades da NASA encerraram oficialmente o caso sem qualquer discussão sobre a natureza desconcertante destas anomalias.

Entre as características anómalas salientadas por Loeb, incluem-se a existência de um proeminente jato de anti-cauda dirigido para o Sol tanto antes como depois do periélio, o alinhamento geométrico com uma diferença de 8 graus entre o eixo de rotação do 3I/ATLAS a grandes distâncias e a direção solar, e o alinhamento com uma diferença de 5 graus do plano orbital do 3I/ATLAS em relação ao plano da eclíptica.

Além disso, também a proeminência do níquel relativamente ao ferro no gás que o 3I/ATLAS expele faz lembrar as ligas de níquel produzidas industrialmente, nota Loeb, que tem visto ETs um pouco por todo o lado. Foi o caso do ‘Oumuamuae das vibrações nas esférulas encontradas pelo astrónomo no fundo do Pacífico, que não eram sinais de uma nave alienígena; tinham sido causadas por um camião.

A grande maioria dos astrónomos considera que o 3I/ATLAS é um cometa. Mas Avi Loeb continua a discordar desta conclusãoe manifesta, no seu artigo no El Confidencial, estranheza pela forma como a CIA está a tratar o temum.

Em dezembro, salienta Loeb, a CIA respondeu a um pedido ao abrigo da Lei de Liberdade de Informação apresentado por John Greenewald Jr.., afirmando que “não pode nem confirmar nem negar a existência ou inexistência de registos” relacionados com o 3I/ATLAS. Greenewald publicou no X a resposta da CIA.

O facto de esta informação ser tratada como suficientemente sensível para ser classificada pela CIA é surpreendentediz Loeb, dado que as autoridades da NASA afirmaram de forma categórica numa conferência de imprensa a 19 de novembro de 2025 que o 3I/ATLAS é definitivamente um cometa de origem natural.

Se esta conclusão era clara desde o início para todos dentro do Governo e no meio académico, tal como as autoridades da NASA apresentaram o caso, porque trataria a CIA a possível existência de registos relacionados com um cometa natural como algo suficientemente sensível para ser classificado?

A interpretação mais simples é que alguns funcionários governamentais querem certificar-se de que o 3I/ATLAS não é um “evento cisne negro” — um “evento cisne negro” que represente uma ameaça potencial para a sociedadeainda que os especialistas em cometas considerem tal possibilidade altamente improvável.

A expressão “evento cisne negro” descreve um acontecimento raro e inesperado que vem a revelar-se ter impacto significativo e efeitos económicos, sociais, políticos ou tecnológicos relevantes — que, em retrospetiva, deveria ter sido fácil de antecipar, porque “os sinais estavam lá”.

Ao multiplicar uma pequena probabilidade de existência de uma ameaça pelo seu elevado fator de impacto na sociedadea conclusão prudente é que tais acontecimentos devem ser levados a sério e vigiados.

Esta lição foi aprendida da pior forma pelos habitantes de Troiadepois de terem dado as boas-vindas ao cavalo de Troiabem como pelas agências de informações como a CIA e a Mossad, após os seus erros de cálculo do risco de acontecimentos como o 11 de setembro de 2001 e o ataque do Hamas a 7 de outubro de 2023.

Nestas circunstâncias, sugere Loeb, as autoridades da NASA foram encorajadas a oferecer a interpretação científica mais provávelenquanto ao mesmo tempo se ocultou do público a consideração séria de um “acontecimento cisne negro” por parte da CIA, a fim de evitar que se instalasse o pânico sem motivo fundado.

Esta é uma política prudente para mitigar os distúrbios sociais ou a instabilidade dos mercados financeiros num momento em que a realidade de um acontecimento cisne negro ainda é considerada altamente improvável.

Para manter a confiança do público, a CIA prefere não lançar um falso alarmecomo o pastor que gritou repetidamente “Vem aí o lobo!“. A resposta de “nem confirmar nem negar” é a melhor maneira de manter oculta a investigação de acontecimentos cisne negro.

Se a interpretação anterior estiver correta, o 3I/ATLAS é o primeiro caso de um objeto astronómico relativamente ao qual as agências de informações adotaram deliberadamente a resposta de “nem confirmar nem negar”.

UM recolha de dados sobre o 3I/ATLAS não terá terminado até que o cometa passe perto do “raio de Hill” de Júpiter, nota Avi Loeb.

É de esperar que a curiosa comunidade de funcionários governamentais seja influenciada pela dogmática comunidade de especialistas em cometas para verificar se o 3I/ATLAS liberta alguma pequena sonda que se venham a tornar “novos satélites de Júpiter”.

A menos que o verifiquemos, talvez nunca saibamos se este cisne é branco ou negro, conclui Avi Loeb — que quer mesmo, com muita força, que o 3I/ATLAS seja de facto uma nave extraterrestre a passear pela galáxia.



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