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Uma dor de cabeça para Darwin: o relógio da evolução anda aos solavancos



ZAP // Fábio Paiva; IvanM77 / Depositphotos

Um novo estudo sugere que a evolução avança a velocidades diferentes, especialmente quando surge pela primeira vez um grande grupo de organismos.

A famosa analogia, que nos recordamos de ter ouvido pela voz do astrofísico Carlos Sagandiz-nos que, se toda a história geológica da Terra fosse comprimida num único anoos humanos modernos só teriam aparecido por volta das 23h50 da véspera de Ano Novo.

A história humana registada surge que tal pode ter acontecido ainda mais tarde do que isso. Considerando o imenso passado do nosso planeta, é absolutamente notável quanto a nossa humilde espécie aprendeu nesses últimos minutos antes da meia-noite.

No entanto, embora tenhamos desenvolvido um modelo fiável para explicar como a vida emergiu de organismos unicelulares até à complexa teia que vemos hoje, sob a forma da Teoria da Evolução de Charles Darwincontinuam a existir importantes questões, nota a Mecânica Popular.

A principal entre elas é a aparente lacuna fóssil entre o momento em que os cientistas acreditam que surgiu a vida complexa e quando observamos os primeiríssimos fósseis — neste caso, sob a forma de uma criatura semelhante a um verme do género Trepticnusdatada de há cerca de 538 milhões de anos.

Falta-nos um elo perdido na Evolução, ou o famoso Dilema de Darwin.

Utilizando a ideia do Relógio Molecularque, no seu nível mais básico, consiste em trabalhar retrospetivamente através do registo genético partindo do pressuposto de que as alterações genéticas ocorrem de forma constanteos cientistas estimam que há uma lacuna de aproximadamente 30 milhões de anos que atualmente não é explicada pelo que vemos nos fósseis.

Naturalmente, os fósseis são difíceis de encontrar à partidae uma teoria é que estes primeiros animais eram simplesmente incrivelmente pequenosdevido aos baixos níveis de oxigénio, e, portanto, difíceis de encontrar.

Porém, um estudo de Graham Buddpaleontólogo da Universidade de Uppsala, e Richard Mannecologista matemático da Universidade de Leeds, publicado no ano passado na Biologia Sistemática, questiona a própria ideia de Relógio Moleculare sugere que a evolução não “avança” de forma tão constante como poderíamos esperar.

No seu estudo, Budd e Mann, ambos com longa experiência na análise do Relógio Molecular e tendo até desenvolvido modelos matemáticos para determinar como surgem os principais grupos de animais na evolução, apresentam um modelo diferente, a que dão o nome de Ritmo Evolutivo Covariantepara ajudar a explicar algumas das inconsistências entre o relógio molecular e o registo fóssil.

“O modelo do Ritmo Evolutivo Covariante prevê que a diversidade é dominada por um pequeno número de clados extremamente grandes em qualquer época histórica, incluindo o presente”, explica os dois investigadores.

Segundo este modelo, é esperado que estes grandes clados sejam caracterizados por radiações iniciais explosivas acompanhadas por taxas elevadas de evolução molecular, e que é provável que os organismos existentes tenham evoluído a partir de espécies com taxas evolutivas invulgarmente rápidasexplicam os autores.

Num artigo no A conversao biólogo evolutivo Max Telfordda University College London, explica o modelo ao demonstrar como este ritmo variável poderia reduzir drasticamente a lacuna temporal que esperamos entre o surgimento da vida complexa e os primeiros fósseis observáveis.

Telford explica que os humanos e os chimpanzéspor exemplo, estão separados por seis milhões de anos de evolução. Para simplificar, se existem seis alterações genéticas entre estas duas espécies e o relógio molecular é constante, isto sugere uma alteração genética em cada milhão de anos.

Contudo, o modelo do Ritmo Evolutivo Covariante sugere que, quando surge um grande grupo de organismos, a evolução acelera efetivamente.

Isto faria parecer que estava a passar mais tempoquando, na realidade, a evolução estava apenas a passar por um avanço rápidodiferenciando-se em vários grupos que eventualmente surgiram no registo fóssil.

“Embora a ideia do relógio acelerado precise de ser testada”, escreveu Telford, “poderia explicar outras discrepâncias entre os relógios moleculares e o registo fóssil”.

Pronto. Tudo o que sabíamos sobre a cronologia da evolução poderá estar em causa. Se Darwin fosse vivo, estaria com certeza com uma grande dor de cabeça.



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