web statistics
O Irão está sem Internet há quase 90 horas, ninguém sabe quantos já morreram e Trump vai ligar a Musk



Neil Hall/EPA

Homem acena com uma bandeira iraniana pré-revolucionária de dentro de um carro enquanto os manifestantes participam num protesto de apoio ao atual movimento de protesto no Irão, em Londres

O corte da Internet decidido na quinta-feira pelas autoridades iranianas, devido aos protestos contra o Governo, continua em vigor. Chefe da diplomacia do Irão afirma hoje que os protestos se tornaram-se violentos e sangrentos “para dar uma desculpa” a Trump para intervir.

Os protestos antigovernamentais continuam, no Irão. Ninguém sabe, ao certo, quantas pessoas já morreram.

Segundo a Netblocks, organização não-governamental (ONG) de monitorização da cibersegurança, o país está há quase 90 horas sem Internet.

Na quinta-feira, as autoridades cortaram a Internet e o sinal de telemóveis em todo o país, na sequência de uma grande manifestação em Teerão e depois de terem sido publicados nas redes sociais vídeos que mostravam uma multidão em protesto.

Donald Trump indicou ainda que planeia ligar a Elon Musk para discutir o posicionamento de satélites Starlink para “manter a internet a funcionar” no Irão.

“Desculpa” para Trump

O chefe da diplomacia do Irão, Abbas Araghchidisse esta segunda-feira que os protestos em todo o país “tornaram-se violentos e sangrentos para dar uma desculpa” para uma intervenção militar dos EUA.

A alegação do ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano surgiu num encontro com diplomatas estrangeiros em Teerão e foi citada pela emissora Al Jazeera, financiada pelo Qatar, que tem permissão para operar apesar do corte da internet no Irão.

Araghchi não apresentou provas para suportar esta alegação, mas garantiu que “a situação está sob controlo total” em todo o país, numa altura em que ativistas garantem que pelo menos 544 pessoas foram mortas — a grande maioria manifestantes.

Trump diz que Irão “quer negociar”

O Presidente dos EUA afirmou que os líderes do Irão o contactaram para negociar após Donald Trump ter ameaçado com uma ação militarnuma altura em que a República Islâmica enfrenta protestos antigovernamentais.

“Os líderes iranianos ligaram” no sábadodisse Trump aos jornalistas a bordo do avião presidencial no domingo, acrescentando que “está a ser planeada uma reunião”

“Eles querem negociar”acrescentou o republicano.

Trump disse que está a receber atualizações de hora em hora sobre os protestos e que a administração que lidera “tomará uma decisão”. Trump alertou, no entanto: “talvez tenhamos de agir antes de uma reunião”.

As forças armadas dos EUA estavam a considerar “opções muito fortes” em relação ao Irão, no meio de crescentes receios de uma repressão violenta contra o movimento de protesto no país.

Irão está a “passar a linha”

O Presidente norte-americano acredita que o Governo iraniano “está a começar” a ultrapassar uma linha, porque “morreram pessoas que não deviam ter morrido”algo que atribuiu ao “reinado de violência” de Teerão.

“Alguns manifestantes morreram espezinhados; eram muitos. E alguns foram baleados”, afirmou.

O republicano disse acreditar que o Irão leva as suas ameaças a sério depois de “anos” a lidar com o país, citando as mortes do general da Guarda Revolucionária Qassem Soleimanido líder do Estado Islâmico Abu Bakr al-Baghdadi e “um diminuição da ameaça nuclear iraniana“.

No domingo, o presidente do parlamento do Irão avisou que os militares norte-americanos e Israel serão “alvos legítimos” caso de ataque de Washington.

Os comentários de Mohammad Bagher Qalibaf representam a primeira vez que Israel é incluído na lista de possíveis alvos de um ataque iraniano.

Qalibaf, um linha-dura, fez a ameaça enquanto os deputados invadiam a tribuna do parlamento iraniano, gritando: “Morte à América!”

Donald Trump desvalorizou possíveis ataques iranianos a bases norte-americanas: “Se o fizerem, atacá-los-emos a níveis nunca antes vistos”.



Source link