
Filipe Amorim / LUSA
O candidato à Presidência da República, João Cotrim Figueiredo
O candidato liberal não exclui um apoio a Ventura e diz que precisaria de fazer uma reflexão profunda sobre quem apoiar numa segunda volta. Ventura vê o possível apoio “com naturalidade”.
O candidato presidencial Cotrim Figueiredo revelou esta segunda-feira que, numa eventual segunda volta das eleições em que não esteja, não exclui o apoio a qualquer candidato.
“Não excluo qualquer candidatomas teria de fazer uma reflexão profunda“, admitiu o também eurodeputado, no final de uma visita ao Mercado Municipal do Fundão onde teve, a seu lado, o vice-presidente da Assembleia da República Rodrigo Saraiva, a ex-deputada do PSD Liliana Reis e o vereador na Câmara Municipal da Covilhã, que concorreu como independente eleito pelo CDS-PP, Eduardo Cavaco.
Questionado sobre se apoiaria o adversário André Ventura na corrida a Belém, o antigo líder da IL reafirmou que, nesta altura, não exclui ninguém. “O André Ventura dos últimos quatro dias eu ainda não conheci. Moderou o discurso e parece um político diferente“, considerou.
Apesar da insistência dos jornalistas, Cotrim Figueiredo referiu que, com a “dinâmica que está”, o único cenário de que lhe interessa falar é aquele onde está na segunda volta das eleições presidenciais.
E num eventual cenário em que passe à segunda volta com André Ventura, líder do Chega, questionado sobre se gostaria de ter o apoio dos restantes candidatos da direita, Cotrim Figueiredo foi perentório em dizer que acha que não precisa. “Eu não acho que precisenão acho que precise”, insistiu.
Para o candidato, apoiado pela Iniciativa Liberal, os votos não são dos candidatos, mas sim das pessoas. “As pessoas terão de fazer essa escolha. Estão lá dois candidatos, escolham. Eu não preciso do endorsement [apoio] de ninguém, lamento”, vincou.
E, nesse sentido, entendeu, também não precisará de dar apoio a ninguém porque não é dono dos votos que lhe confiarem.
Apoio de Cotrim seria natural, diz Ventura
O candidato presidencial André Ventura disse hoje ver “com naturalidade” um eventual apoio de Cotrim de Figueiredo numa segunda volta contra Seguro, mas criticou o liberal, classificando-o como um bloquista “de fato e gravata”.
“Vejo a declaração do João Cotrim de Figueiredo com naturalidade, de que, como é provável, eu esteja na segunda volta e o [outro] candidato seja o António José Seguro, que esses apoios possam manifestar-se e que isso possa acontecer. Eu também procurarei evitar ao máximo que haja um Presidente socialista”, afirmou o também presidente do Chega.
Marques Mendes também já comentou as declarações de Cotrim, acusando o liberal de estar a admitir que não vai à segunda volta. “Cotrim Figueiredo, ao dizer o que disse, está no fundo a reconhecer que não vai à segunda volta. Está a reconhecer aquilo que muita gente diz, que um voto na candidatura da Iniciativa Liberal é um voto inútil, inútil, porque não vai passar à segunda volta, porque não vai ganhar”, declarou o candidato apoiado pelo PSD.
Pelo contrário, Marques Mendes diz já ter a segunda volta programada na sua cabeça. “Houve uma pessoa que me abordou dizendo que só falta uma semana: eu disse, não, não, faltam quatro semanasportanto, a minha perspetiva é a do dia 8 de fevereiro”, disse.
Jorge Pinto diz-se triste com os comentários de Cotrim, acusando o liberal de abdicar dos seus princípios por calculismo. “Se há alguém que tem falado contra a nossa democracia é André Ventura. Que João Cotrim Figueiredo esteja confortável com isso e que assuma que poderia votar nele, a mim entristece-me, mas na verdade não me surpreendeporque os pontos de contacto entre João Cotrim Figueiredo e a Iniciativa Liberal e o Chega e André Ventura, são vários”, afirmou.
As eleições presidenciais, às quais concorrem 11 candidatos, estão marcadas para 18 de janeiro. Caso nenhum deles consiga mais de metade dos votos validamente expressos, realizar-se-á uma segunda volta a 8 de fevereiro entre os dois mais votados.
