
Bibliotecas da Universidade de Syracuse / Domínio Público
O Isolador
A estranha geringonça tinha como objetivo eliminar todas as distrações sonoras e visuais e obrigar o utilizador a concentrar-se.
Muito antes das aplicações de produtividade, das playlists de foco e do detox digital, os inventores já procuravam formas de vencer a procrastinação. Em julho de 1925, a revista Ciência e Invenção apresentou aos leitores uma solução extrema, concebida para eliminar quase por completo as distrações.
Chamava-se “O Isolador” e era essencialmente um capacete feito para bloquear tanto o ruído como as interrupções visuais. A revista defendia que mesmo os escritores que trabalhavam em ambientes fechados corriam o risco constante de verem os seus pensamentos interrompidos por sons de fundo, que podiam “matar uma ideia na hora“. A solução proposta era o isolamento sensorial total, conseguido colocando algo semelhante a um grande balde sobre a cabeça do utilizador.
De acordo com o artigo original, a primeira versão do capacete era feita de madeira, revestida interna e externamente com cortiça e coberta com feltro. Três pequenos painéis de vidro permitiam ao utilizador ver, enquanto um deflector junto à boca possibilitava a respiração, reduzindo o som. Este modelo inicial bloqueava, alegadamente, cerca de 75% do ruído ambienteembora os seus criadores reconhecessem que a madeira maciça limitava a sua eficácia.
Para melhorar o desempenho, as versões posteriores adicionaram um espaço de ar dentro do capacete, aumentando a redução de ruído para cerca de 90% a 95%. No entanto, um novo problema surgiu rapidamente. Após cerca de 15 minutos dentro do capacete, os utilizadores ficavam sonolentos, provavelmente devido à fraca ventilação e ao aumento dos níveis de dióxido de carbono.
Para contornar isto, os inventores acoplaram um pequeno cilindro de oxigénio ao capacete. A revista afirmou que esta adição “aumentou a respiração e revigorou consideravelmente o utilizador”.
O Isolador também tinha como objetivo eliminar distrações visuais. Embora possuísse janelas para os olhos, estas eram pintadas de preto com apenas finas fendas horizontais gravadas no vidro, obrigando a uma visão em túnel. Isto impedia o utilizador de ver qualquer coisa para além do seu trabalho imediato, incluindo objetos em movimento ou outras pessoas próximas.
Embora o dispositivo tenha sido apresentado com seriedade na época, nunca se popularizou. Um século depois, permanece como um lembrete impressionante de até onde os inventores estavam dispostos a ir na busca do foco e de quão mais seguras tendem a ser as ferramentas de produtividade modernas. Os especialistas de hoje sugerem que as playlists de música continuam a ser uma opção muito melhor.
