
NSF – DOE Observatório Vera C. Rubin/NOIRLab/SLAC/AURA/P. Marenfeld
Esta ilustração artística retrata o asteróide 2025 MN45 — o asteróide com rotação mais rápida e diâmetro superior a 500 metros já descoberto pela ciência.
O asteróide recentemnte descoberto pelo Observatório Robin está a fazer uma rotação a cada 1,88 minutos. Geralmente, ter uma rotação mais rápida do que 2,2 minutos resulta na destruição do asteróide.
O Observatório Vera C. Rubin descobriu o asteróide com rotação mais rápida de que há registo, com mais de 500 metros de diâmetro.
Batizado de 2025 MN45, o objeto de 710 metros de comprimento está localizado na cintura principal de asteróides entre Júpiter e Marte e completa uma rotação a cada 1,88 minutos. Esta descoberta, juntamente com a de outros 18 asteróides de rotação rápida, representa os primeiros resultados científicos publicados do Legacy Survey of Space and Time (LSST, na sigla em inglês) do Observatório Rubin, e foi divulgada a 7 de janeiro de 2026 na revista Astrophysical Journal Letters. Os dados foram recolhidos em abril e maio de 2025, durante o comissionamento dos instrumentos do telescópio.
O público teve um primeiro vislumbre das capacidades do Rubin em junho de 2025, mas a campanha de observação de 10 anos começa em 2026.
“O Observatório Rubin, financiado pela NSF e pelo Departamento de Energia dos EUA, vai encontrar coisas que ninguém sabia sequer que existiam“, afirma Luca Rizzi, diretor do programa de infraestruturas de investigação da NSF. “Quando o levantamento Legacy Survey of Space and Time de Rubin começar, este enorme asteróide em rotação será acompanhado por uma avalanche de novas informações sobre o nosso Universo, captadas todas as noites.”
Em circunstâncias normais, os objetos na cintura de asteróides tendem a rodar a menos de 2,2 minutos por rotaçãono que é conhecido como barreira de rotação. Girar mais rapidamente do que isto resulta frequentemente na fragmentação do asteróide em pedaços mais pequenos ou na sua divisão num objeto binário.
A barreira de rotação é determinada por diversos fatores, incluindo a proporção de material gelado e rochoso dentro de um objeto, o seu tamanho e se o asteróide é um único bloco sólido ou um aglomerado de pequenos fragmentos. Os astrónomos acreditam que os “aglomerados de fragmentos” são o tipo mais comum de asteróide, mas, com a sua elevada velocidade de rotação, o 2025 MN45 não é, definitivamente, um.
“Claramente, este asteróide deve ser feito de um material com uma resistência muito elevada para se manter íntegro enquanto gira tão rapidamente”, afirma a autora principal do estudo, Sarah Greenstreet. “Calculamos que ele precisaria de uma força coesiva semelhante à da rocha sólida.”
Entre os outros asteróides descobertos, o segundo lugar vai para o 2025 MJ71, que gira quase tão depressa, a 1,9 minutos por rotação.
Dos 19 asteróides de rotação rápida descritos no novo artigo, apenas um está fora da cintura principal de asteróides. Antes do Rubin, a maioria dos asteróides de rotação rápida conhecidos eram objetos próximos da Terra. As capacidades únicas do Rubin estão a possibilitar observações detalhadas a distâncias maiores do que antes, e espera-se que o levantamento do LSST resulte numa grande quantidade de novos dados sobre a cintura de asteróides e mais além.
A principal vantagem do Rubin, para além de possuir a maior câmara digital alguma vez construída, é que irá monitorizar o céu noturno repetidamente, captando qualquer mudança que ocorra no céu de uma noite para a outra. Estas mudanças são chamadas de “transientes” e incluem asteróides (e possivelmente novos planetas), mas também eventos distantes como supernovas e o escurecimento ou brilho de estrelas variáveis. Ao longo de dez anos, o LSST irá também criar um mapa detalhado da Via Láctea e ajudar os astrofísicos a compreender a matéria escura, catalogando os tamanhos das galáxias distantes.
