
Miguel A. Lopes / LUSA
O candidato à Presidência da República, Luís Marques Mendes
Candidato soube da famosa frase de Cotrim sobre Ventura: “Andaram a dizer que eram da direita liberal e são a direita radical”.
Numa fase em que aparece – segundo as sondagens – cada vez mais longe da segunda volta das eleições presidenciais, Luís Marques Mendes até terá sentido um novo impulso nesta segunda-feira.
Foi o dia em que João Cotrim de Figueiredo não excluiu apoiar André Ventura na segunda volta, caso Cotrim não esteja nessa fase.
Como descreve o Expressoa comitiva até se agitou em Paredes, quando soube destas declarações: Sebastião Bugalho e Hugo Soares chamaram Marques Mendes para ler o que estava no telemóvel.
Logo a seguir, atirou: “Andaram a dizer que eram da direita liberal e são a direita radical”.
“Afinal, a candidatura da IL (João Cotrim de Figueiredo) quer entregar Portugal aos cartazes do Chega e isso só aumenta a nossa responsabilidade: a democracia está sob ameaça – ameaça da desinformação, do populismo, do sectarismo e do extremismo”, analisou Marques Mendes.
Isto enquanto dizia que votar em Cotrim é votar de forma “inútil” porque o antigo líder da IL já “está a reconhecer que não vai a segunda volta”.
E os acordos?
Mas Luís Marques Mendes, que tem estado “colado” ao Governo desde que a campanha presidencial começou, não refere os acordos, sobretudo dois acordos importantes, que o Governo liderado pelo PSD já fez com o Chega – essa “ameaça à democracia”.
Marques Mendes já teve a companhia de Luís Montenegro, de ministros, de Hugo Soares, de Sebastião Bugalho. Todos com ligação ao PSD ou ao Governo, ou ambos.
E foi este Governo que, em Junho deste ano, incluiu 80 medidas de outros partidos no seu programa; a maioria (27) é do Chega.
Em Setembro, a nova versão da lei de estrangeiros foi aprovada, depois de um acordo entre o Governo e o Chega.
Em Outubro, houve novo acordo entre André Ventura e PSD, desta vez sobre a lei da nacionalidade; também foi aprovada.
Como lembra Ana Sá Lopes no Públicoo Governo não tem um parceiro oficial para alianças parlamentares mas o Chega tem “sustentado o Governo em matérias fundamentais”. Governo e Chega já têm um historial de colaboração.
João Manuel Fernandes acrescenta na rádio Observador: “Marques Mendes é o candidato do Governo, candidato do PSD – que faz acordos com o Chega. Não faz muito sentido esta reacção sobre a democracia estar em causa”.
