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Cotrim nega assédio sexual; 30 mulheres defendem candidato



Miguel Pereira da Silva / LUSA

O candidato à Presidência da República, João Cotrim Figueiredo

As reacções do candidato ao alegado apoio a Ventura e à acusação de Inês Bilhão. E tinha avisado sobre “informações falsas”.

Há quem lhe chame dia negroou nódoaou um dia “horrível”: esta segunda-feira foi particularmente agitada para João Cotrim de Figueiredo. E não por bons motivos. Mas o cenário foi mudando com o passar das horas.

De manhã, o candidato presidencial apoiado pela Iniciativa Liberal (IL) esses que, se houver segunda volta e se não estiver lá, não exclui o apoio a nenhum dos candidatos. “Mas teria de fazer uma reflexão profunda sobre que candidatos vamos estar a falar”.

Questionado especificamente sobre André Ventura, o antigo líder da IL admite: “O André Ventura dos últimos quatro dias eu ainda não conheci. Moderou o discurso e parece um político diferente“.

“Não vou excluir ninguém nesta altura”, reforçou.

“Fui pouco claro”

Horas depois, Cotrim esclareceu: “Eu disse que votaria em André Ventura? Não. Não disse. Fui pouco claro, assumo. O que eu disse é que não me comprometia com o apoio a nenhum candidato na segunda volta”.

“É óbvio que não quero André Ventura como Presidente da República”, continuou o candidato no Instagram.

Cotrim continua confiante que vai estar na segunda volta das eleições presidenciais. Esse é o seu “cenário base”.

Acusação de assédio

Também nesta segunda-feira, surgiu uma acusação de assédio sexualdirigida a João Cotrim de Figueiredo.

Uma antiga assessora parlamentar de IL, Inês Bilhão, que agora trabalha no Ministério dos Negócios Estrangeiros, escreveu, com detalhes: “Nunca vou esquecer as várias vezes em que bloqueei quando me disse ‘Excelente trabalho, só falta abrires as pernas comigo‘, ‘De que tipo de homens gostas?’, ‘Mais grossa ou mais comprida?’”

“Não vou esquecer o que acontece às pessoas que não fazem o que ele quer ou que pensam diferente de si. E dos telefonemas que faz logo a seguir para minar propostas de trabalho.”

Inês acrescentou: “Que me acuse daquilo que quiser, se tiver ponta por onde pegar. Calada estive eu e assim vou continuar, porque não merece que a minha vida seja prejudicada por aquilo que ele fez. Não suporto a ideia de o ver em Belém, com o Octávio, com o Bernardo e com o Ricardo (figuras da Iniciativa Liberal).”

Entretanto, a publicação foi apagada.

“Perguntem a qualquer mulher”

João Cotrim de Figueiredo rejeitou qualquer assédio sexual: “Tive conhecimento dessa denúncia e é absolutamente e completamente falso o que essa senhora pôs a circular”.

O candidato anunciou que Inês vai ser “obviamente” acusada de processo por difamação: “Porque há política, há política suja e depois há isto. É absolutamente inadmissível. Não percebo como é que em Portugal ainda há gente que acha que consegue fazer política desta maneira”.

No fim-de-semana, João Cotrim de Figueiredo já tinha escrito: “Nesta recta final da campanha, em que estamos a incomodar cada vez mais, o surgimento de informações falsas sobre mim”.

E, voltando às declarações desta segunda-feira, desafiou: “Perguntem a qualquer das dezenas de mulheres que trabalharam comigo ao longo destes anos se têm alguma razão de queixaincluindo as mulheres que trabalharam comigo na mesma altura dessa senhora”.

Mais tarde, um comunicado por escrito, assinado pelo próprio Cotrim: “A calúnia que circula sobre o meu alegado comportamento é totalmente destituída de fundamento. É de uma gravidade que não pode ser deixada passar sem reação. Irei processar por difamação as pessoas em causa, independentemente das suas circunstâncias e das funções que exerce num dos gabinetes do actual Governo”.

30 mulheres defendem Cotrim

Já nesta terça-feira, manhã seguinte, é enviada às redacções uma carta aberta assinada por 30 mulheres – todas a defender João Cotrim de Figueiredo.

Todas trabalharam com o eurodeputado e “nunca vivenciaram ou presenciaram comportamentos inadequados”.

Nenhuma de nós vivenciou ou presenciou comportamentos inadequados nas interações que tivemos, incluindo em contextos de trabalho com várias mulheres na equipa nos quais o ambiente se manteve profissional e respeitador”, lê-se na carta aberta.

As 30 mulheres asseguram que foram sempre tratadas com respeito, profissionalismo e consideração: “O objectivo deste texto é apenas acrescentar ao espaço público um testemunho honesto e colectivo sobre aquilo que conhecemos em primeira mão”.

Como o silêncio de quem conhece a realidade também pode ser uma forma de injustiça, escolhemos falar”, justificaram as 30 mulheres.

Há alguns nomes conhecidos na lista de assinaturas: as deputadas Joana Cordeiro e Angélique Da Teresa, a ex-deputada Patrícia Gilvaz, e as apresentadoras de televisão Iva Domingues e Filipa Garnel.

“Os meus queridos adversários que mantenham a calma”, tinha comentado Cotrim, de tarde.

Nuno Teixeira da Silva, ZAP //





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