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O segredo para prevenir as cáries pode já estar na sua boca



Uma nova investigação indica que a arginina, um aminoácido que já esstá presente na saliva, ajuda a proteger o esmalte e prevenir cáries.

A chave para prevenir a cárie dentária pode já estar presente na boca humana. Um novo estudo clínico sugere que o aumento dos níveis do aminoácido arginina na saliva pode transformar os biofilmes bacterianos nocivos num estado mais protetor, reduzindo a acidez que leva à formação de cáries.

A cárie dentária não é causada diretamente pelo açúcarmas sim pelas bactérias que se alimentam dele. Estes microrganismos metabolizam os açúcares e libertam ácidos que corroem gradualmente o esmalte dentário. Com o tempo, formam biofilmes bacterianos densos na superfície do dente, que podem reter o ácido contra o esmalte e acelerar a cárie.

Um novo estudo publicado no The International Journal of Oral Science revela que a arginina, um aminoácido naturalmente presente na saliva, pode alterar este processo. Em pessoas com cárie ativa, a exposição regular à arginina reduziu a acidez dos biofilmes bacterianos, alterando tanto a composição microbiana como os açúcares presentes nestes biofilmes, explica o Alerta científico.

“Os nossos resultados revelaram diferenças claras na acidez, com os biofilmes tratados com arginina a apresentarem uma proteção significativamente maior contra a acidificação causada pelo metabolismo do açúcar”, afirmou Yumi Del Rey, microbiologista envolvida no estudo.

Embora estudos laboratoriais anteriores tenham sugerido que a arginina pode ajudar a prevenir as cáries, a nova investigação teve como objetivo testar os seus efeitos em bocas humanas reais. Dez participantes com cáries dentárias ativas participaram no estudo. Cada um usava próteses dentárias com pequenos painéis que permitiam a formação natural de biofilmes bacterianos ao longo de quatro dias.

Três vezes por dia, as próteses eram removidas e tratadas. Os biofilmes foram inicialmente expostos a uma solução de sacarose para simular a ingestão de açúcar. Um dos lados de cada prótese foi então tratado com uma solução de arginina, enquanto o outro lado foi enxaguado com água destilada como controlo.

Após quatro dias, os investigadores analisaram os biofilmes em detalhe. Quando expostos novamente ao açúcar, os biofilmes tratados com arginina mantiveram consistentemente um nível de pH mais elevado, o que significa que eram menos ácidos e menos propensos a danificar o esmalte.

Análises adicionais revelaram que o tratamento com arginina alterou tanto os açúcares como as bactérias dentro dos biofilmes. Os níveis do açúcar fucose foram mais baixos, enquanto a galactose estava mais concentrada nas camadas externas do biofilme, longe da superfície do dente. A análise de ADN mostrou também uma redução das bactérias Estreptococo produtoras de ácido e um ligeiro aumento das bactérias capazes de metabolizar a arginina.

Os investigadores observaram que as respostas variaram entre os indivíduos e que nem todos os participantes apresentaram o mesmo nível de benefício. As razões para esta variabilidade permanecem desconhecidas.

Apesar das questões em aberto, as descobertas sugerem que a arginina pode ser uma adição promissora às pastas dentífricas ou aos colutórios.



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