
Alejandro Ernesto/EPA
Embaixada dos EUA em Havana, Cuba
Responsáveis do Pentágono terão passado o último ano a testar um dispositivo que poderá estar relacionado com problemas de saúde invulgares relatados por vários funcionários norte-americanos, que se tornaram conhecidos como “Síndrome de Havana”.
Há quase uma década, começaram a surgir os primeiros relatos de pessoal diplomático norte-americano e canadiano em Cuba que afirmava estar a sentir problemas de saúde inexplicáveis.
Estes incidentes de saúde anómalos (ISA), que se tornaram popularmente conhecidos como “Síndrome de Havana“, continuam atualmente em causa, havendo especialistas médicos e organizações que contestam a sua existência.
Cientistas norte-americanos não encontraram até agora justificação para os misteriosos sintomas, tendo sido apontadas para a sua origem teorias tão diversas como um dispositivo que emite “energia dirigida” ou grilos.
Contudo, um dispositivo alegadamente obtido pelo Departamento de Defesa dos EUA poderá agora ajudar os responsáveis norte-americanos a resolver questões pendentes sobre os misteriosos incidentes de saúde, que terão afetado funcionários em embaixadas dos Estados Unidos em vários países.
O dispositivo, cuja alegada existência foi inicialmente noticiada pela CNNterá sido obtido no âmbito de uma operação secretaainda durante a Administração Biden.
De acordo com responsáveis com conhecimento da aquisição do dispositivo há mais de um ano, este terá sido adquirido pela Homeland Security Investigationsuma divisão do Departamento de Segurança Interna, por vários milhões de dólaresembora não tenha sido divulgado nenhum montante exato.
Segundo o O interrogatórioo misterioso dispositivo produz alegadamente emissões de ondas de rádio pulsadasque avaliações anteriores indicaram poder ser capazes de produzir sintomas consistentes com o que vários funcionários diplomáticos norte-americanos afirmaram inicialmente ter sentido, a partir do final de 2016, na embaixada dos Estados Unidos em Cuba.
Após os casos iniciais da Síndrome de Havanaum número crescente de diplomatas, oficiais de informações e militares viria a apresentar-se com sintomas de saúde inexplicáveis semelhantes.
Embora o dispositivo obtido pelo Departamento de Defesa tenha alegadamente sido submetido a testes extensivos, responsáveis com conhecimento do assunto afirmam que continua a não existir qualquer prova conclusiva de que a tecnologia adquirida pelos EUA durante a operação encoberta esteja ligada aos ISA que terão começado a manifestar-se há uma década.
Uma Questão Controversa
Os ISA têm permanecido controversos, tanto no governo como dentro da comunidade médica, devido à falta de qualquer padrão definitivo nos sintomas que possa ser utilizado para caracterizar a alegada condição.
No passado, várias avaliações de informações examinaram a questão, e um importante relatório da Comunidade de Informações dos EUA não encontrouna altura, ligações entre os incidentes de saúde e atividades que pudessem estar associadas a qualquer potência estrangeira.
Contudo, o relatório não excluiu que potenciais adversários estrangeiros dos Estados Unidos pudessem ter desenvolvido tecnologias responsáveis pelos incidentes.
Adicionalmente, estudos dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA não conseguiram determinar quaisquer padrões consistentes relacionados com lesões cerebrais ou quaisquer outros sintomas específicos, embora tenha sido observado, em alguns casos, um aumento de relatos de problemas como fadigadepressão e questões psicológicas relacionadas com stress.
Apesar do ceticismo persistente sobre a alegada condição, terão sido realizadas no ano passado reuniões informativas com as Comissões de Informações da Câmara dos Representantes e do Senado para fornecer esclarecimentos sobre aquilo que é atualmente conhecido acerca do dispositivo que o Departamento de Defesa obteve.
De acordo com responsáveis familiarizados com o assunto, o alegado dispositivo será provavelmente capaz de gerar emissões de rádio suficientemente poderosas para induzir problemas de saúde consistentes com os relatados por vários funcionários norte-americanos, mantendo-se ao mesmo tempo suficientemente pequeno para poder ser transportado numa mochila normal.
Foram fornecidos poucos detalhes específicos sobre o dispositivo, embora os responsáveis tenham afirmado que este continha componentes que poderiam ser rastreados até à Rússiasem contudo atribuir explicitamente as suas origens àquela nação.
Preocupações adicionais sobre o dispositivo centraram-se na possibilidade de uma capacidade tão pequena e portátil poder ser obtida por múltiplas nações diferentes, que a poderiam utilizar para causar dano a funcionários norte-americanos ou de outras nações, deixando praticamente nenhuma prova forense.
