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O presidente dos EUA, Donald Trump
O organismo, que “desempenhará um papel essencial no cumprimento dos 20 pontos do plano” de Donald Trump para a paz em Gaza, irá supervisionar um comité palestiniano de tecnocratas, “temporário e apolítico”, que começou os seus trabalhos esta sexta-feira.
O presidente norte-americano, Donald Trumpdivulgou esta sexta-feira a composição do Conselho de Paz para a Faixa de Gaza, a que vai presidir, e que inclui o secretário de Estado Marco Rubio e o antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair.
O enviado especial norte-americano para a Faixa de Gaza e Ucrânia, Steve Witkofftambém fará parte do órgão, assim como o genro do Presidente, Jared Kushnere o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga.
Witkoff tinha anunciado na quarta-feira que o plano norte-americano para o fim da guerra no território tinha entrado na segunda fasecentrada no desarmamento do movimento islamita palestiniano Hamas e que inclui a formação do Conselho de Paz para Gaza.
Este organismo irá supervisionar um comité palestiniano de tecnocratas, temporário e apolítico, que começou também os seus trabalhos esta sexta-feira.
“O Conselho de Paz desempenhará um papel essencial no cumprimento dos 20 pontos do plano presidencial, proporcionando supervisão estratégicamobilizando recursos internacionais e garantindo a responsabilização à medida que Gaza transita do conflito para a paz e o desenvolvimento”, refere um comunicado da Casa Branca.
“Para concretizar a visão do Conselho de Paz sob a Presidência Trumpfoi formado um conselho executivo fundadorcomposto por líderes nas áreas da diplomacia, desenvolvimento, infraestruturas e estratégia económica”, adianta.
Além de Blair, Rubio, Witkoff e Kushner, integra o conselho Roberto Gabrielvice-conselheiro de segurança nacional norte-americano. Também o bilionário norte-americano Marc Rowan terá assento no Conselho.
Cada um dos nomeados supervisionará “uma pasta definida, crucial para a estabilização e o sucesso a longo prazo de Gaza, incluindo, entre outros, o desenvolvimento, a governação, as relações regionais, a reconstrução, a atração de investimento, o financiamento em grande escala e a mobilização de capital”.
Um comitê tecnocrático composto por 15 personalidades palestinianas deverá administrar provisoriamente o território, sob a tutela do Conselho de Paz.
Este recém-criado comité palestiniano de governação da Faixa de Gaza reuniu-se esta sexta-feira pela primeira vez, no Cairo, noticiou a al-Qahera News, um meio de comunicação social ligado ao Egito.
Os trabalhos de reconstrução “assentarão essencialmente” no plano egípcio que envolve árabes e islâmicos, afirmou o presidente do comité, Ali Shaath, antigo vice-ministro palestiniano, numa entrevista à al-Qahera News.
O plano foi aprovado em marçocom o apoio de países europeus, em resposta à proposta então apresentada por Trump de assumir o controlo do território palestiniano e expulsar os seus habitantes.
O documento prevê a reconstrução da Faixa de Gaza sem deslocar os seus mais de dois milhões de habitantes.
“O dossiê da habitação é muito importante depois da destruição de 85% das casas”, sublinhou Ali Shaath, engenheiro civil, destacando a necessidade de devolver a “dignidade ao cidadão palestiniano sentado em tendas levadas pelo vento”.
A segunda fase do acordo de cessar-fogo, que começou em 10 de outubro na Faixa de Gaza, prevê igualmente o desarmamento do Hamasa retirada progressiva das tropas israelitas e o destacamento de uma força internacional de estabilização.
Trump afirmou na última noite que será obtido um “acordo abrangente de desmilitarização” com o Hamas, incluindo a “entrega de todas as armas e o desmantelamento de todos os túneis” em Gaza.
O Presidente alegou que, desde o cessar-fogo, os Estados Unidos contribuíram para o envio de níveis recorde de ajuda humanitária para Gazachegando à população civil a uma velocidade e escala históricas.
Há meses que as organizações não-governamentais a operar no território palestiniano lamentam os obstáculos impostos por Israel para deixar entrar mantimentos essenciais.
Um alto responsável do Hamas saudou na quinta-feira a formação do comité de peritos encarregado de administrar a Faixa de Gaza após a guerra, afirmando que este contribuirá para consolidar o cessar-fogo e impedir um regresso aos combates.
Israel declarou a 7 de outubro de 2023 uma guerra na Faixa de Gaza para “erradicar” a organização terrorista islamita palestiniana Hamas, horas depois de este ter realizado em território israelita um ataque de proporções sem precedentesmatando cerca de 1.200 pessoas e sequestrando 251.
A guerra de retaliação israelita no enclave palestiniano fez mais de 71.400 mortosna maioria civis – entre os quais mais de 20 mil crianças -, e mais de 171 mil feridos, segundo números das autoridades locais, que a ONU considera fidedignos.
Os mais de dois milhões de habitantes do enclave palestiniano viviam já anteriormente com dificuldades, causadas por outros bombardeamentos israelitas e com o embargo imposto por Israel a partir de 2007quando o Hamas chegou ao poder.
