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Cientistas podem ter finalmente encontrado o “Santo Graal” dos substitutos do açúcar



Uma equipa de investigadores criou um novo método biossintético de produzir tagatose, um açúcar de ocorrência natural mas muito raro, semelhante ao açúcar de mesa em termos de sabor, que poderá oferecer uma forma de adoçar alimentos com menos efeitos negativos.

Uma equipa de cientistas criou uma nova forma de produzir um açúcar raro que tem um sabor quase idêntico ao do açúcar de mesa, mas com muito menos inconvenientes para a saúde.

O resultado é um adoçante com menos calorias, impacto mínimo nos níveis de açúcar no sangue e potenciais benefícios para a saúde oral e intestinalque poderá oferecer uma alternativa há muito procurada ao açúcar tradicional.

Há gerações que cientistas e empresas alimentares têm tentado recriar o sabor do açúcar sem os problemas de saúde que lhe estão associados.

de para sacarinano século XIX, até alternativas mais recentes como a estévia sim eles têm guo, ou “fruta dois monges”no século XXI, o objetivo tem sido manter a doçura enquanto se reduzem as calorias em excesso, as cáries dentárias e os riscos crescentes de obesidade, resistência à insulina e diabetes.

Agora, uma equipa de investigadores da Universidade de Tufts reportou progressos nesse sentido. Num estudo publicado na revista Relatórios de células Ciências Físicasa equipa descreve um novo método biossintético para produzir tagatoseum açúcar de ocorrência natural mas muito raro.

UM nas costas assemelha-se bastante ao açúcar de mesa em termos de sabor e poderá oferecer uma forma de adoçar alimentos com menos efeitos negativos. Os cientistas afirmam que poderá também trazer benefícios adicionais para a saúde.

Comparada com açúcares comuns como a glucose, a frutose e a sacarosea tagatose existe apenas em quantidades ínfimas na natureza. Surge no leite e nos lacticínios quando a lactose é decomposta pelo calor ou por enzimas, um processo que ocorre durante a produção de alimentos como iogurte, queijo e kefir.

Pequenos vestígios de tagatose estão também presentes em frutas como maçãs, ananases e laranjas. Ainda assim, representa habitualmente menos de 0,2% dos açúcares encontrados nestes alimentos. Como as fontes naturais contêm tão pouca quantidade, a tagatose é normalmente produzida através de fabrico industrial em vez de ser extraída diretamente para utilização.

“Há processos estabelecidos para produzir tagatose, mas são ineficientes e dispendiosos”, afirmou Nikhil Nairprofessor associado de engenharia química e biológica em Tufts, e co-autor do estudo.

Para ultrapassar essas limitações, a equipa de investigação desenvolveu uma nova abordagem que se baseia em bactérias geneticamente modificadas.

“Desenvolvemos uma forma de produzir tagatose através da modificação genética da bactéria Escherichia coli para funcionar como pequenas fábricas, equipadas com as enzimas certas para processar quantidades abundantes de glucose em tagatose”, explica o investigador, citado pelo Ciência Tecnologia Diário.

Isto é muito mais viável economicamente do que a nossa abordagem anterior, que utilizava galactose, menos abundante e mais cara, para produzir tagatose”, acrescenta.

As bactérias modificadas foram concebidas de forma a transportar uma enzima recentemente descoberta no bolor mucilaginoso, conhecida como “fosfatase seletiva de galactose-1-fosfato” (Gal1P), que permite que as bactérias convertam a glucose diretamente em galactose.

Uma segunda enzima produzida pelas bactérias, chamada arabinose isomerasecompleta então a transformação ao converter a galactose em tagatose.

Através deste processo, as bactérias conseguem produzir tagatose a partir de glucose com rendimentos que atingem até 95%. Trata-se de uma melhoria significativa face aos métodos de fabrico convencionais, que normalmente alcançam rendimentos entre 40 e 77%. A maior eficiência torna também o processo muito menos dispendioso.

Um tagatose fornece cerca de 92% da doçura da sacaroseo açúcar de mesa, enquanto contém aproximadamente menos 60% de calorias.

Foi classificada pela FDA como “geralmente reconhecida como segura“, o que significa que pode ser utilizada em produtos alimentares de consumo. Esta classificação é a mesma que se aplica a ingredientes comuns como o sal, o vinagre e o bicarbonato de sódio.

Uma das razões pelas quais a tagatose pode ser útil para pessoas com diabetes é a forma como o organismo a processa. Apenas parte do açúcar é absorvida no intestino delgado, enquanto grande parte é fermentada pelas bactérias intestinais no cólon.

Devido a isto, a tagatose causa aumentos muito menores nos níveis de glucose e insulina no sangue do que o açúcar convencional. Estudos clínicos demonstraram aumentos muito baixos da glucose ou insulina no plasma após as pessoas consumirem tagatose.

A tagatose poderá também beneficiar a saúde oral. Ao contrário da sacarose, que alimenta bactérias que contribuem para as cáries, a tagatose parece retardar o crescimento de alguns desses micróbios. A investigação sugere ainda que poderá ter efeitos probióticos que apoiam bactérias mais saudáveis tanto na boca como no intestino.

Por ser baixa em calorias e mal absorvida pelo organismo, a tagatose funciona bem como “adoçante de volume“. Isto significa que pode substituir o açúcar não só pela doçura, mas também pela estrutura física que o açúcar proporciona na culinária e na pastelaria.

Os adoçantes de alta intensidade não conseguem replicar este efeito. A tagatose carameliza durante a confeçãotal como o açúcar de mesa, e testes de sabor mostram que se aproxima mais do açúcar do que outros adoçantes.

Os investigadores afirmam que esta estratégia poderá tornar possível produzir outros açúcares raros de forma mais eficienteremodelando potencialmente a forma como os adoçantes são desenvolvidos e utilizados no futuro.



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