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Acordo comercial “já não é possível”. Macron quer lançar a “bomba atómica comercial” da UE



Stephanie Lecocq/EPA

O presidente da França, Emmanuel Macron

A União Europeia prepara-se para travar a aprovação do acordo comercial com os EUA, devido à decisão de Trump de impor tarifas aos países que apoiaram a Gronelândia. Macron vai pedir que a UE use o Instrumento Anti-Coerção, a ferramenta comercial retaliativa mais poderosa do bloco económico europeu.

A acordo comercial abrangente atingido em julho, que estabelece uma tarifa de 15% na maioria dos produtos e evita uma guerra comercial transatlântica, está em vias de ser cancelado pela UEapós o anúncio, este sábado, de que os Estados Unidos vão impor uma Taxa de 25% para 8 países que se opõem à anexação da Gronelândia.

Numa publicação nas redes sociais, Trump anunciou que a Dinamarcaa Noruega, a Suécia, a França, a Alemanha, o Reino Unido, os Países Baixos e a Finlândia enfrentarão a tarifa, que vai ser aumentada para 25% de 1 de junhose até essa data não for assinado um acordo para a “compra completa e total da Gronelândia”.

Manfred Weberpresidente do Partido Popular Europeu, o maior grupo político no Parlamento Europeu, afirmou este sábado que o acordo com os EUA “já não é possível”.

“O PPE é favorável ao acordo comercial UE-EUA, mas tendo em conta as ameaças de Donald Trump relativamente à Gronelândia, a aprovação não é possível nesta fase”, escreveu Weber nas redes sociais. Acrescentou ainda que o acordo da UE para reduzir as tarifas sobre “produtos americanos tem de ser suspenso“.

O acordo comercial UE-EUA, que Úrsula von der Leyenpresidente da Comissão Europeia, celebrou com Trump no verão passadojá foi parcialmente implementado, mas ainda necessita da aprovação do Parlamento.

Se os deputados do PPE se juntarem aos grupos políticos de esquerdaé provável que tenham votos suficientes para atrasar ou bloquear a aprovação.

O acordo comercial estabeleceu uma Taxa americana de 15% para a maioria dos produtos da UE em troca do compromisso da UE de eliminar as taxas aduaneiras sobre produtos industriais americanos e alguns produtos agrícolas. Von der Leyen, que supervisiona as negociações comerciais da UE, celebrou o acordo na esperança de evitar uma guerra comercial total com Trump.

Uma fação de deputados europeus há muito que se opõe ao acordoargumentando que era demasiado desequilibrado a favor dos EUA. Essa irritação agravou-se quando os EUA alargaram uma tarifa de 50% sobre o aço e o alumínio a centenas de produtos adicionais da UE após o acordo de julho.

O anúncio deste recebeu de imediato rejeição por  parte dos líderes europeus, que estão a determinar os próximos passos. Em comunicado, Von der Leyen declarou que “as tarifas prejudicariam as relações transatlânticas e arriscam uma espiral descendente perigosa”, enquanto o presidente francês, Emmanuel Macronconsiderou as ameaças de Trump “inaceitáveis“.

IAC, a “bomba atómica comercial” da UE

Numa entrevista, esta semana, Bernd Langepresidente da Comissão de Comércio do Parlamento Europeu, que ajuda a supervisionar a discussão sobre a ratificação do acordo comercial, salientou que “é evidente que a soberania nacional de qualquer país tem de ser respeitada por todos os parceiros do acordo comercial”.

Após o anúncio de Trump, Lange escreveu nas redes sociais que os trabalhos de implementação do acordo comercial com os EUA deveriam ser suspensos até que as ameaças de Trump cessassem.

Bernd Lange apelou também a que a UE use o seu Instrumento Anti-Coerção (IAC), um ferramenta comercial retaliativa mais poderosa da UE — uma espécie de “bomba atômica comercial” da União Europeia.

Entretanto, Emmanuel Macron, que está hoje “em contacto o dia todo com os homólogos europeus”, vai pedir “a ativação do IAC” se as ameaças de sobretaxas alfandegárias de Trump forem executadas, informou fonte próxima do presidente francês.

O IAC, que nunca foi usado, foi concebido principalmente como elemento dissuasor e, se necessário, para responder a ações coercivas deliberadas de países terceiros que utilizem medidas comerciais como meio de pressionar as escolhas políticas da UE ou dos seus membros.

Essas medidas poderiam incluir tarifas, novos impostos sobre empresas tecnológicas ou restrições direcionadas aos investimentos na UE. Poderiam também envolver a limitação do acesso a determinadas partes do mercado da UE ou a restrição da participação de empresas em concursos públicos na Europa.



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