
José Coelho / EPA
O candidato presidencial português António José Seguro festeja após avançar para a segunda volta das eleições presidenciais na sede da sua campanha, nas Caldas da Rainha
Mesmo estando rouco, António José Seguro fez um discurso de mais de 10 minutos, onde apelou a todos os “democratas, progressistas e humanistas” a juntarem-se a ele, para “quem semeia ódio e a divisão entre os portugueses” na segunda volta.
“Somos um só povo, uma só nação, um só Portugal. Plural, inclusivo, respeitador das liberdades de cada um e solidário nas nossas necessidades comuns”.
Foi assim que António José Seguro iniciou o seu discurso de vitória da primeira volta das eleições presidenciais.
“Agradeço do fundo do coração a cada portuguesa e a cada português que votou em mim. Saberei honrar o vosso voto e a vota confiança”, perspetivou o candidato que avança agora para a segunda volta contra André Ventura.
“Sou livre. Vivo sem amarras”
“Recebi votos oriundos de todos os campos políticos, o que reforça ainda mais a natureza independente desta candidatura. Sou livre. Vivo sem amarras. E assim agirei como presidente da República (…) Esta não é uma candidatura partidária nem nunca será. É a casa de todos os democratas”, garantiu.
Demarcando-se do seu adversário na segunda volta, o socialista convidou “todos os democratas, todos os progressistas e todos os humanistas a juntarem-se a nós, para, unidos, derrotar os extremismos e quem semeia ódio e a divisão entre os portugueses”
“Serei o presidente de todos os portugueses e faço esse juramento diante vós: serei o presidente de todos os portugueses, de todos os portuguesesleal à Constituição da República, para cuidar e melhor o que está bem e para mudar o que está mal”, acrescentou.
O candidato que fez da moderação a sua arma
Depois de mais de 10 anos afastado da vida políticaSeguro decidiu avançar para as eleições presidenciais sem esperar pelo apoio do Partido Socialista, que liderou.
Em 15 de junho, apresentou a sua candidatura “sem amarras”, apartidária e aberta a todos os democratas.
Só quatro meses depois é que o PS avançou para o apoio formal a esta corrida presidencial, uma proposta conjunta do presidente do partido, Carlos César e do secretário-geral, José Luís Carneiroque apelou à mobilização dos socialistas em torno desta candidatura e participou ativamente na campanha.
Seguro juntou-se assim a Mário Soares, Jorge Sampaio e Manuel Alegre como os nomes que o PS apoiou formalmente ao longo da sua história em campanhas presidenciais e retribuiu a confiança do partido com uma vitória na primeira volta, com uma percentagem superior a 31%.
A história de Seguro, o protagonista da pergunta “qual é a pressa?”
António José Martins Seguro nasceu em 11 de março de 1962 em Penamacor. É casado e tem dois filhos.
É mestre em Ciência Política, pelo ISCTE-IUL, e licenciado em Relações Internacionais, pela Universidade Autónoma de Lisboa.
Depois de ocupar vários cargos públicos – membro do Governo, deputado ou eurodeputado, entre outros – Seguro afastou-se da vida política após a demissão de secretário-geral do PS, em setembro de 2014, na sequência da derrota das eleições primárias contra António Costa.
“Qual é a pressa?” é uma das frases que mais colada à pele lhe ficouuma resposta aos jornalistas em janeiro de 2013 sobre quando é que a sua direção tencionava propor uma data para a realização do congresso do PS.
Remetendo-se à condição de “militante de base” depois de deixar a liderança do PS, que ocupou entre 2011 e 2014, o candidato presidencial dedicou-se às aulas na universidade e aos seus negócios e manteve-se quase em silêncio sobre as questões políticas ao longo da última décadacom raríssimas exceções.
Em novembro do ano passado, numa entrevista à TVI/CNN que antecedeu o seu espaço de comentário semanal naquela estação, assumiu que estava a ponderar uma candidatura a Presidente da Repúblicamas afastou regressar à vida partidária.
No dia em que o novo parlamento iniciou funções, Seguro desfez as dúvidas e anunciou que iria ser candidato à sucessão de Marcelo Rebelo de Sousa, sem esperar pelo apoio do PS.
Moderação, consenso e compromissos são palavras que usa frequentemente para qualificar a sua forma de estar na política e na vida.
Miguel Esteves, ZAP // Lusa
