
ZAP
Paulo Raimundo e António Filipe na campanha das presidenciais 2026
1,64% para António Filipe, os números discretos de Gouveia e Melo e Marques Mendes, Jorge Pinto atrás de Manuel João Vieira.
Provavelmente, muitos jornalistas tinham preparado, para a noite das eleições presidenciais, um artigo com o título “O pior resultado de sempre da esquerda”.
Não aconteceu. Porque os 31,11% de António José Seguro – que nenhuma sondagem previa – foi essencial para um total de 35,49% de candidatos ligados a partidos da esquerda.
Continua a ser um resultado global baixo, mas é superior ao descalabro das legislativas do ano passado: 31,80%. Ou seja, Seguro teve agora uma percentagem quase igual à da esquerda toda junta no ano passado.
Mas houve uma previsão de “pior resultado de sempre” que se confirmou: PCP, ou alguém ligado aos comunistas.
António Filipe só teve 1,64% dos votos. Nem chegou aos 100 mil, contabilizando 92.589 votos. E atrás de Catarina Martins.
É ainda pior do que o PCP (com o PEV) conseguiu nas legislativo do ano passado, quando se ficou pelos 2,91%.
“O resultado obtido pela minha candidatura ficou aquém do que Portugal precisa e não permite alimentar a ideia de que o resultado destas eleições se traduza na expansão da vontade de mudança e um novo rumo de sentido progressista para a política nacional”, admitiu António Filipe, na noite passada.
Duas derrotas para Ventura
Pode parecer estranho escrever sobre derrotas de André Ventura numas eleições em que é um dos dois vencedores.
Mas o presidente do Chega disse, mais do que uma vez, que a sua ideia era passar à segunda volta no primeiro lugar. Não aconteceu. Nem ficou lá perto: acabou a noite a quase 8 pontos percentuais de António José Seguro.
A segunda derrota foi não ter conseguido um crescimento evidente de Ventura/Chega. É verdade que conseguiu uma percentagem maior do que nas últimas legislativas (mas um crescimento de apenas 0,76 pontos percentuais); mas também é verdade que, comparando com essas mesmas eleições, teve menos 111 mil votos.
Os outros desaires (e o de Costa)
Há outros três derrotados evidentes: João Cotrim de Figueiredo, Henrique Gouveia e Melo e Luís Marques Mendes.
Para Cotrim, ficar no 3.º lugar até seria uma grande vitória noutro contexto. É algo que a IL nunca conseguiu. Mas, nas últimas duas semanas, as expectativas mudaram e o próprio candidato anunciou: queria passar à segunda volta. Ficou bem longe disso, a 7,5 pontos percentuais do segundo lugar de André Ventura. Atirou culpas a Luís Montenegro.
Gouveia e Melo era ou vencedor anunciado. Logo à primeira volta. Isto ainda em 2024. Até que, chegada a noite das eleições presidenciais, ficou no 4.º lugar. Com apenas 12,32% dos votos. Atirou culpas às sondagens.
E Marcas Mendeso pior resultado de sempre para o PSD, ou para um candidato apoiado pelo PSD: 11,30%. Não atirou culpas a ninguém, assumiu “por inteiro” a responsabilidade do fracasso.
Mais abaixo, Jorge Pinto também terá ido dormir desiludido: ficou com 0,68% dos votos, através de Catarina Martins, de António Filipe e ainda de Manuel João Vieira. E ainda registou uma diferença grande para o cantor: 38 mil votos para Jorge Pinto, quase 61 mil votos para Manuel João Vieira.
E ainda há uma derrota de algumas pessoas que nem estavam nos boletins de voto: António Costa, Pedro Nuno Santos, Augusto Santos Silva… Apesar de os dois últimos até terem apoiado publicamente António José Seguro, Santos Silva chegou a dizer que o “banal” Seguro nem cumpria os “requisitos mínimos” para ser presidente da República; e Pedro Nuno era crítico da liderança de Seguro no PS. E, como se sabe, António Costa (agora noutras vidas) apareceu em cena para tirar Seguro da liderança do PS. Agora, muito provavelmente, vai ver o antigo rival como presidente da República.
