
Dois passos simples podem ajudar a ter conversas melhores — e mais verdadeiras.
Quase todas as conversas, das mais banais às mais íntimas, têm uma expectativa escondida: as pessoas não precisam que acreditemos piamente nas suas histórias, mas sim, acima de tudo, que as escutemos e as validemos.
A ideia foi recentemente partilhada no Grande Pensamentoe é defendida a partir de uma observação recorrente de Oprah Winfreya apresentadora televisiva norte-americana que ao longo de décadas entrevistou milhares de figuras públicas e não só. Segundo a apresentadora, assim que as câmaras param e os microfones são retirados, a pergunta que mais ouve dos convidados é quase sempre a mesma: “Como é que me saí?”.
O fenómeno não se limita ao universo mediático. Mesmo quem não é presidente, celebridade ou figura pública pode não verbalizar “Como é que me portei?”, mas tende a pensar nisso depois de um encontro com amigos, de uma reunião de trabalho ou de uma noite social.
Por trás deste impulso está uma necessidade constante de validação e reconhecimento: é uma necessidade humana de confirmação externa de que fomos compreendidos, aceites e, idealmente, apreciados.
A busca de validação é um traço antigo da vida em sociedade. O filósofo Jean-Jacques Rousseau interpretou essa ansiedade como uma consequência da passagem para formas de vida comunitárias: quando deixámos de viver de modo disperso e passámos a viver “uns diante dos outros”, a perceção pública ganhou peso e transformou-se em fonte de inquietação. Já o filósofo Byung-Chul Han propõe uma leitura diferente, mais contemporânea: a transformação das pessoas de “criaturas que contam histórias” em “criaturas que vendem histórias”.
Para Han, durante muito tempo os indivíduos apresentavam a sua vida como uma narrativa com profundidade, contradições e estruturas lentas. Uma tentativa de dizer “é isto que sou”, aceitem ou não. Hoje, cresce a tendência para fabricar, exagerar ou moldar relatos para maximizar aprovação social. A prioridade deixa de ser a autenticidade e passa a ser a aceitabilidade. E depois, temos uma sala inteira a concordar com narrativas que, pelas costas, consideram pouco credíveis.
A “Regra Oprah”
É neste contexto que surge a chamada “Regra Oprah” como um método simples para melhorar conversas e relações.
A regra assenta em dois movimentos: o primeiro é criar espaço para que o interlocutor se sinta visto, isto é, fazer perguntas que convidem à experiência subjetiva (“Como é que isso te fez sentir?”, “O que te passou pela cabeça naquele momento?”, “Porque é que isso foi tão importante para ti?”).
O segundo passo é oferecer, de forma explícita, a validação que tantas vezes está implícita no pedido “Como correu?”: frases como “Consigo perceber”, “Entendo porque reagiste assim” ou “Acho que lidaste bem com isso”.
Em vez de testar a veracidade de cada detalhe ou de “comprar” a história como produto, a proposta é reconhecer que ouvir pode ter um valor reparador. Escutar passa a ser entendido como um ato que acolhe vulnerabilidade e devolve dignidade; é uma forma de incentivar que o outro conte a sua história, em vez de a encenar para obter aprovação.
