
António Cotrim / EPA
Mário Machado, preso nas celebrações do 25 de Abril deste ano, em Lisboa, é tido como o líder do Grupo 1143.
Objetivo de operação nacional é desmantelar a associação criminosa de extrema-direita ligada a atos de discriminação e incitamento ao ódio, que tem como vítimas imigrantes de países islâmicos: Mário Machado terá passado instruções a partir da cadeia.
A Polícia Judiciária (PJ) lançou ao início de manhã desta terça-feira uma megaoperação, de Norte a Sul do país, de combate a crimes de ódio cometidos contra imigrantesconfirmou fonte da corporação.
Segundo a fonte, a operação arrancou pelas 07:00 e às 09:30 ainda decorria. A CNNPortugal noticiou que a Unidade de Contraterrorismo da PJ tem em curso uma megaoperação para desmantelar uma associação criminosa de extrema-direita relacionada com atos de discriminação e incitamento ao ódio, que tem como vítimas imigrantes de países islâmicos.
A investigação da PJ incide sobre a difusão de mensagens e outros conteúdos xenófobos e racistas nas redes sociais, que acabam em ações violentas de rua com palavras de ordem de incitamento ao ódio contra comunidades imigrantes.
O papel de Mário Machado
O conhecido neonazi Mário Machadoque está a cumprir pena de dois anos e 10 meses de prisão efetiva por crimes da mesma natureza (neste caso, incitamento ao ódio e à violência contra mulheres de esquerda em publicações nas redes sociais) é considerado o líder deste grupo, para o qual terá passado instruções a partir da cadeia.
A PJ estará também a conduzir buscas à própria cela de Mário Machadona prisão de Alcoentre, na Azambuja, Lisboa.
Agressão em Aveiras
Estão mais de 50 buscas e 30 detenções previstas na manhã desta terça-feira, segundo a CNN. Entre os detidos estarão elementos ligados ao Grupo 1143 e à fação radical da Juve Leo (claque do Sporting CP).
As detenções estarão também relacionadas com a agressão, há poucas semanas, de um imigrante indostânico na estação de serviço em Aveiras, levada a cabo por elementos deste grupo neonazi. Segundo apuraram a SIC e o Expressode acordo com o testemunho de uma pessoa que se encontrava na estação de serviço, o imigrante estava a beber café quando foi abordado “de forma agressiva” por um indivíduo que lhe perguntou: “Sabes o que é isto aqui?”, apontando para a t-shirt do movimento neonazi que tinha vestida. “Vai para a tua terra”, “não podes viver neste país”, terá gritado ao imigrante.
