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Santiago e a sua namorada sobreviveram ao desastre ferroviário, mas viram muitas pessoas perder a vida
O Ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou que os dois portugueses que estiveram no acidente que envolveu o descarrilamento de dois comboios e fez 41 mortos, no sul de Espanha, no domingo, estão bem.
Esta segunda-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) havia adiantado que uma portuguesa já se encontrava “bem e em casa” e que se desconhecia ainda o estado de saúde de um outro português “que foi sinalizado pelas autoridades espanholas”, sabendo-se agora que se encontra igualmente bem.
O outro português, sabe-se agora, é SantiagoSalvador, que partilhou, ao final da noite, um vídeo nas redes sociais a dizer que é “um dos sobreviventes do acidente de comboio em Aldamuz”.
“Estou vivo. Foi um acidente muito trágico, parecia um inferno. Havia pessoas muito feridas. Vi muita morte, muitos mortos…”, relatou, no vídeo.
“Estava com a minha namorada [espanhola]. Comecei a voar pela carroça, parecia que estava num carrossel. Por sorte estou vivo e a minha namorada também. Foi uma força divina, é um milagre estar vivo“, acrescentou.
Por fim, o português, que partiu a tíbia e o perónio, fez um apelo ao amor: “Há que viver a vida, porque ela é curta. Agradeçam a todas as pessoas que têm ao vosso lado e não se chateiem por parvoíces. Valorizem mais o amor entre vocêsporque um dia estamos aqui e noutro estamos no céu…”.
“Não foi a minha vez de ir para o céu”concluiu, com alívio.
41 mortos confirmados
Ó número de mortos no acidente ferroviário em Córdova, no sul de Espanha, no domingo, subiu para 41disseram hoje as autoridades locais.
As autoridades cifraram em cerca de 150 o número total de feridoscom diversa gravidade, no acidente de domingo, que envolveu dois comboios da rede de alta velocidade de Espanha em que viajavam perto de 500 pessoas.
O acidente ferroviário ocorreu por volta das 19h45 de domingo (18h45 em Lisboa), no município de Adamuz e envolveu dois comboios de alta velocidade, um da empresa privada Iryo (que tinha saído de Málaga e tinha como destino Madrid), e outro da empresa pública Renfe (que seguia em sentido contrário, desde Madrid para Huelva, perto da fronteira com Portugal, no Algarve).
Os três últimos vagões do comboio Iryo descarrilaram e invadiram outra via onde circulava o comboio da Renfe, num local conhecido como o apeadeiro de Adamuz, onde existe uma “subestação” de manutenção da linha e onde há um ponto de mudança de agulhas.
O comboio da companhia Iryo, que tinha partido de Málaga às 18h40 de domingo com destino a Puerta de Atocha (Madrid) com perto de 70 pessoas a bordo, descarrilou e três vagões invadiram a via contígua, pela qual circulava, nesse mesmo momento, outro comboio da Renfe com destino a Huelva, que também descarrilou.
Os vagões do comboio da Iryo colidiram com os dois primeiros vagões do comboio da Renfe, que foram projetados e caíram por um aterro de cerca de quatro metros.
O Governo espanhol decretou hoje três dias de luto nacional, de terça-feira a quinta-feira, anunciou o primeiro-ministro, Pedro Sánchez.
