web statistics
Radev demite-se numa Bulgária em crise (mas vai voltar)



Presidência da Bulgária

Rumen Radev, presidente da Bulgária

Rumen Radev abdica de ser presidente mas deve formar um partido para concorrer noutras eleições. Ainda o efeito Geração Z.

O Presidente da Bulgária, Rumen Radev, anunciou nesta segunda-feira a sua demissão, antes das legislativas antecipadas agendadas para a primavera, no mais recente episódio da crise política que há cinco anos desestabiliza o país.

“Amanhã (terça-feira), apresentarei a minha demissão do cargo de Presidente da República da Bulgária”, afirmou Rumen Radev, de 62 anos, numa declaração oficial à nação.

Este anúncio surge após nove anos de Radev naquele cargo e numa altura em que o país balcânico se encontra sem Governo, depois da demissão do executivo em dezembro de 2025, após uma onda de contestação popular desencadeada pela introdução do euro.

“Hoje, dirijo-me a vós pela última vez como Presidente. Em primeiro lugar, gostaria de pedir perdão pelo que não consegui fazer. Mas é precisamente a minha convicção de que o conseguiremos que é um dos principais motivos desta decisão”, disse Radev, na mensagem transmitida pela televisão pública nacional.

“A nossa democracia não pode sobreviver se a deixarmos nas mãos de figuras corruptas, negociantes e extremistas“, declarou o presidente.

Mas Rumen Radev deve voltar: têm surgido informações que indicam que o presidente demissionário vai formar um partido, o seu partido político, para concorrer nas próximas eleições para o parlamento búlgaro.

Para já, o seu sucessor é a até aqui vice-presidente, Iliana Iotova. E deverá continuar no cargo até novembro, data de novas eleições presidenciais.

Rumen Radev era presidente há 10 anos. Foi eleito em 2016 e foi eleito em 2021. Tem-se mostrado contra a adesão da Bulgária ao euro e tem mostrado que está do lado russoguerra na Ucrânia.

Ou seja, se criar um partido e se for eleito primeiro-ministro, pode haver uma pequena revolução na Bulgária, sobretudo na política externa.

É a segunda demissão em pouco mais de um mês. Em dezembro, o governo de coligação liderado pelo primeiro-ministro Rosen Zhelyazkov apresentou a demissão, após semanas de protestos e manifestações contra a corrupção endémica e a perceção de que as elites políticas vivem desligadas das dificuldades da população.

Pela primeira vez, um país europeu viu um governo cair às mãos, essencialmente, da geração Z. Os protestos, organizados e geridos por jovens, foram essenciais para este desfecho.

A Bulgária passou por sete eleições legislativas em quatro anos.



Source link