
Miguel A. Lopes / Lusa
O ex-dirigente do PNR, fundador da FN, Mário Machado
Grupo neonazi iria tentar atacar muçulmanos ao longo deste ano. Elemento da PSP, militar e três militantes do Chega entre os 37 detidos.
Foram revelados alguns detalhes sobre a megaoperação da Polícia Judiciária (PJ) que, nesta terça-feira, visou o combate a crimes de ódio cometidos contra imigrantes.
A Operação Irmandade terminou com a detenção de 37 pessoasentre as quais um elemento da Polícia de Segurança Pública (PSP), um militar e três militantes do Chega.
Em comunicado, a PSP informa o polícia detido pertence ao efetivo do Comando Distrital de Setúbal.
Fonte ligada à investigação disse à Lusa que o outro dos dois elementos não civis detidos na operação “Irmandade” é um militar.
Ou grupo neonazista 1143 foi um foco desta megaoperação.
Ó Jornal de Notícias indica que, entre os detidos, estão pelo menos três militantes do Chega. Estão indiciados por crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência contra imigrantes.
Um deles é Rui Roque, líder do núcleo de Faro do 1143; chegou a anunciar, num congresso do Chega, uma moção para retirar os ovários às mulheres que abortam. Outro é João Peixoto Brancoque foi candidato a uma junta de freguesia em Guimarães; e ainda Rita Castro, candidata do Chega à Câmara Municipal de Guimarães.
Tirso Faria, líder do núcleo de Santo Tirso do 1143, também foi citado no processo, mas não foi detido.
Tem sido visível a ligação entre dirigentes do Chega e o 1143. O líder Mário Machado tem incentivado membros do grupo a tornarem-se militantes do Chega. O grupo apela ao voto em André Venturaou no Chega.
O livro ‘Por dentro do Chega’, do jornalista Miguel Carvalho, já tinha anunciado que Mário Machado olhava para o Chega como “um cavalo de Troia para a extrema-direita no Parlamento, incentivando os ‘nacionalistas’ a ingressarem no partido”.
A PJ realizou buscas na cela de Mário Machado, na prisão de Alcoentre. O líder do 1143 ordenou – a partir da sua cela – duas ações provocatórias do grupo, com um alvo: comunidade muçulmana. Seriam divulgados um vídeo e uma bandeira gigante a insultar o profeta Maomé, descreve o Jornal de Notícias. Iriam acontecer em Fevereiro e em Junho.
Ó Expresso acrescenta que o grupo 1143 queria ser uma “milícia” para fazer uma “guerra racial” em Portugal. Ainda no contexto das provocações a muçulmanos, a ideia seria provocar reações violentas por parte da comunidade muçulmana.
Em relação à “guerra racial”, o objetivo era evidenciar a “supremacia branca”. Ou uma “guerra contra o sistema e essa não se trata já de uma guerra de palavras. É preciso passar das palavras aos atos”, diz Mário Machado, no despacho do processo.
Já ao fim da tarde, o diretor da PJ, Luís Neves, justificou esta Operação Irmandade: “Atuámos de forma preventiva porque não queremos voltar a ter gente que fique inválida, com casas incendiadas ou que fique morta“.
Luís Neves acrescentou que alguns dos atuais membros dessa “organização hierarquizada” já foram responsáveis por “homicídios, pessoas que ficaram com gravíssimas sequelas – e isso não é possível num país com a nossa matriz“.
