
Miguel A. Lopes / LUSA
Ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral
Maria Lúcia Amaral rejeita abuso sistemático, mas é preciso atenção quando se treinam novos elementos para as forças de segurança.
A ministra da Administração Interna recusou que os casos de abuso protagonizados por polícias tenham caráter sistemático, mas admitiu a existência de uma “cultura de violência”, sobretudo nos jovens agentesdefendendo um maior controlo nas esquadras.
“No nosso país estes factos [abusos por parte dos polícias] continuam a não ser práticas sistémicas. Não poderei negar que há uma evolução negativa. Há uma espécie de cultura de violência sobretudo em escalões mais jovens, em escalões dos jovens agentes, como em todos os jovens”, disse Maria Lúcia Amaral no parlamento.
Num debate setorial no plenário da Assembleia da República, a ministra foi questionada pelos deputados, sobretudo pelo PS, BE e Livre, sobre os casos da esquadra do Rato, em Lisboa, em que dois agentes da PSP foram acusados de tortura e violação, visando sobretudo toxicodependentes, sem-abrigo e estrangeiros, e o alegado envolvimento de outro agente da PSP no grupo neonazi 1143.
A governante referiu que o Ministério da Administração Interna está atento a essa cultura de violência e em “diálogo permanente” com as hierarquias da PSP e GNR, que sublinhou, “estão bem cientes do problema e bem alertadas para ele”.
“Dialogamos com a hierarquia das forças de segurança, que estão bem cientes que isso acontece, para, na estrutura organizativa das esquadras, sobretudo nos grandes centros urbanos, ter formas de controlo mais adequadas, que visem precisamente impedir que essa cultura de violência se instale”, sublinhou.
Maria Lúcia Amaral sublinhou que a “este sistema institucional que vigia, controla e atua é necessário juntar uma muito maior atenção” à formação dos elementos das forças de segurança e aos critérios de escolha dos novos polícias.
A ministra defendeu que, neste momento, “é preciso ter mais atenção, cuidado e exigência nas escolas”, considerando que se deve ter “muito cuidado” com a avaliação inicial que se faz aos novos candidatos.
E reforçou: “Para nos protegermos a todos, para garantirmos o cumprimento dos valores fundamentais que nos unem, que as nossas forças de segurança são fieis a esses valores, e podermos continuar a confiar nelas, eu creio – e estou convicta de que temos do nosso lado a hierarquia de todas as forças de segurança – que há uma vigilância mais necessária do que nunca. Do que nunca! Nos momentos iniciaisquando se agregam novos elementos e quando se treinam novos elementos para as forças de segurança”.
“Agora, mais do que nunca, é necessário investir na formação dos agentes das forças de segurança e investir nas escolaspara que possamos ter profissionais cada vez mais preparados, conscientes e capazes de servirem o país com rigor e responsabilidade”, comentou a ministra da Administração Interna.
