
Quique Garcia/EPA
Novo incidente com comboio e grua, em Cartagena; seis feridos. E as explicações para o “caos” na primeira tragédia.
Numa semana, quatro acidentes de comboio: Espanha foi palco de novo acidente ferroviário.
Nesta quinta-feira, um comboio colidiu com uma grua eles Cartagena, na região de Múrcia. Seis pessoas ficaram feridas. Todos feridos ligeiros.
O comboio de passageiros colidiu com um guindaste de construção nesta zona do sudeste da Espanha: “O comboio não tombou nem descarrilou”, anunciou um porta-voz dos serviços de emergência da região de Múrcia.
É o quarto acidente desde domingo. Na terça-feira, um acidente perto de Barcelona matou o maquinista e feriu 37 pessoas. No mesmo dia, devido ao mau tempo, um comboio descarrilou em Lloret de Mar, mas não houve feridos.
Mas o acidente mais grave foi mesmo o primeiro, em Adamuzque provocou 45 mortos, pelo menos.
Na “reconstrução do caos”, como descreve a RTVEos dois comboios saíram entre as 18h10 e as 18h40 locais. O primeiro de Atocha com destino a Huelva tinha 186 passageiros, o segundo de Málaga em direcção a Madrid com 300 pessoas.
Às 19h43, as três últimas carruagens do segundo comboio descarrilaram à entrada da estação de Adamuz e ocuparam a via contráriade onde vinha o primeiro comboio.
O impacto foi quase imediato. Passaram apenas 9 segundos entre o descarrilamento e o choque.
Os dois comboios circularam a cerca de 200 quilómetros por horas.
Depois desse impacto, o primeiro comboio, que seguia para Huelva, descarrilou e as duas primeiras carruagens seguiram ribanceira abaixo, numa queda de 4 metros.
Os dois comboios ficaram a quase 1 km um do outro.
Surgiram marcas nas rodas de um dos comboios. Mais precisamente nos truquesou truques, as partes do comboio que controlam as rodas. Também foram vistas marcas semelhantes em comboios que passaram pelo local do acidente, imediatamente antes.
E foi encontrado um carrinhonum riacho, a cerca de 250 metros do local da colisão.
Ou seja, a própria via férrea poderia ter algum defeito ou estar em más condições.
Óscar Puente, ministro dos Transportes, comentou entretanto que “não é fácil tirar uma conclusão com base numa única evidência” e acredita que “seria muito arriscado dizer que as marcas indicam automaticamente um defeito na infraestrutura”.
Mas admitiu: “É uma possibilidade inegável. Mas não posso estabelecer esse critério porque nem mesmo os técnicos responsáveis pela investigação o estão a fazer”.
“Estamos perante um problema que nunca vimos”, comentou o ministro Óscar Puente.
