
Um egiptólogo propôs uma nova teoria de que a Arca da Aliança não era apenas um recipiente sagrado para os Dez Mandamentos, mas uma reimaginação radical de antigos símbolos religiosos.
David Falk, doutor em Egiptologia pela Universidade de Liverpool, argumentou que a Arca foi modelada com base em móveis rituais egípcios, especificamente santuários projetados para abrigar uma estátua ou ídolo.
Mas ao contrário dos santuários egípcios, a Arca não continha nenhum ídoloo que significa que foi construído para mostrar que a presença de Deus não exigia uma representação física, sugeriu Falk.
Na antiguidade Egitobaús e santuários sagrados eram frequentemente decorados com cobras uraeus que cuspiam fogo, símbolos destinados a proteger e santificar o espaço sagrado.
Deusas aladas também apareciam em tronos e santuários egípcios, suas asas estendidas significando proteção e poder divino.
Falk argumentou que a Arca pegou emprestada essa linguagem visual, mas a inverteu, criando um espaço sagrado não dentro da caixa, mas acima dela, entre as asas dos querubins no propiciatório.
Se Falk estiver correto, o design da Arca revela uma inovação teológica deliberada: um objeto sagrado construído para rejeitar as normas religiosas do seu tempo, embora ainda utilize os seus símbolos para marcá-lo como sagrado.
A teoria implica que os israelitas não apenas abandonaram a religião egípcia, mas também armaram intencionalmente os seus símbolos contra ela através da Arca.
Uma nova teoria sugeriu que a Arca foi construída usando símbolos religiosos egípcios antigos como uma repreensão teológica, uma afirmação de que o Deus israelita era superior aos deuses egípcios porque não precisava de ídolos e porque a sua presença não estava confinada a uma estátua.
A Bíblia afirma que os israelitas passaram gerações no Egito, o que teria levado à absorção de todos os aspectos da sua cultura e imagens religiosas.
A teoria de Falk sugeria que, em vez de simplesmente abandonar estas influências, os israelitas intencionalmente as emprestaram e as reformularam.
A relíquia bíblica funcionaria então como uma repreensão teológica, uma afirmação de que o Deus israelita era superior aos deuses egípcios porque não necessitava de ídolos e porque a sua presença não se limitava a uma estátua.
A Arca da Aliança é um dos artefatos mais emblemáticos da história religiosa, mas continua sendo um dos mais misteriosos.
De acordo com as escrituras, Moisés colocou os Dez Mandamentos dentro da Arca, que foi guardada no Tabernáculo, um santuário construído logo após o Êxodo dos Israelitas do Egito, tradicionalmente datado por alguns estudiosos como sendo por volta de 1445 AC.
O Livro do Êxodo descreve a Arca como um baú de madeira de acácia coberto de ouro, com dimensões precisas e varas de transporte.
Sua tampa era encimada por dois querubins frente a frente, com as asas estendidas para formar um espaço sagrado conhecido como “propiciatório”, onde Deus comungaria com Moisés.
Embora o destino da Arca permaneça um mistério, desaparece do registro bíblico antes do saque de Jerusalém pela Babilônia em 586 AC.
A teoria apontava para baús egípcios antigos, observando como eles são semelhantes à Arca
Falk observou em Arqueologia Bíblica que ‘a Arca foi construída usando uma linguagem visual que todos conheciam há 3.300 anos, mas que hoje está praticamente perdida para nós’.
Sua teoria centra-se na ideia de que a Arca foi intencionalmente modelada em móveis de ‘santuários’ egípcios, que muitas vezes eram construídos para abrigar uma estátua ou ídolo de uma divindade.
Esses santuários eram tipicamente cobertos de ouro e decorados com imagens de proteção.
As figuras protetoras mais comuns eram a cobra uraeus, muitas vezes representada cuspindo fogo, e deusas aladas, cujas asas estendidas significavam proteção e poder divinos.
Falk argumentou que esses símbolos não eram mera decoração, mas marcadores ativos de santidade, uma forma de anunciar que uma presença sagrada estava contida em seu interior.
No entanto, em vez de conter um deus físico, a Arca pode ter sido projetada para criar um espaço sagrado acima de sua tampa, entre as asas dos querubins no propiciatório.
O propiciatório, uma cobertura dourada colocada sobre a Arca, apresentava dois querubins frente a frente.
Suas asas formam uma cobertura protetora, sugerindo uma “sala do trono” sagrada no espaço entre eles. Isto, argumentou Falk, é uma rejeição deliberada da adoração de ídolos, uma forma de dizer que a presença de Deus não pode ser capturada numa estátua.
De acordo com as escrituras, Moisés colocou os Dez Mandamentos dentro da Arca, que foi mantida no Tabernáculo, um santuário portátil construído logo após o êxodo dos israelitas do Egito, tradicionalmente datado por alguns estudiosos de cerca de 1445 a.C.
Os postes de transporte da Arca também apoiam o argumento de Falk, já que na descrição do Êxodo, a Arca foi transportada usando postes que passavam por anéis presos às suas laterais.
Falk observou que isso é consistente com os baús rituais egípcios, que foram projetados de forma semelhante para serem carregados por postes.
Contudo, as versões egípcias foram construídas para transportar ídolos, enquanto a Arca foi construída para não transportar nada dentro.
Esta, disse Falk, é a principal diferença: mantém a forma do mobiliário sagrado egípcio, mas remove a sua função definidora.
Se a interpretação de Falk estiver correta, a Arca torna-se um poderoso símbolo da identidade e resistência israelita.
