
NASA, ESA, CSA, Ralf Crawford (STScI)
O estudo revela com nitidez sem precedentes a estrutura densa de gás e poeira que alimenta o buraco negro.
O Telescópio Espacial James Webb (JWST) obteve a imagem mais detalhada de sempre do ambiente imediato de um buraco negro supermassivoao observar o núcleo ativo da galáxia espiral Circino, situada a cerca de 14 milhões de anos-luz da Terra.
Ó estudo revela com nitidez sem precedentes a estrutura densa de gás e poeira que alimenta o buraco negro.
De acordo com a NASA, as novas observações mudam a interpretação dominante há décadas sobre a origem do brilho infravermelho intenso em galáxias ativas.
Em vez de ser sobretudo produzido por matéria expelida em ventos e fluxos de saída, a maior parte da emissão infravermelha provém de um disco compacto e achatado de poeira quentediretamente ligado ao processo de acreção — a “alimentação” do buraco negro.
O estudo, liderado por Enrique López-Rodríguez, da Universidade da Carolina do Sul, recorreu a uma técnica inovadora do Webb para “ver” através das espessas nuvens de poeira que escondem o centro de Circinus.
Pela primeira vez, um modo de observação de alto contraste foi aplicado a uma fonte extragaláctica, permitindo separar estruturas antes indistinguíveis num único brilho difuso, explica a Revista Galileu.
As imagens mostram a face interna de uma estrutura em forma de toro (“rosquinha”) a brilhar no infravermelho e, mais afastado, um segundo anel com zonas escuras, sinal de poeira mais fria.
A técnica combina a luz recolhida por sete pequenas aberturas hexagonais, criando padrões que funcionam como uma “lupa” cósmica, equivalente a observar com um telescópio duas vezes maior.
A análise indica que 87% da emissão infravermelha da poeira quente vem da região mais próxima do buraco negro; menos de 1% está associada a um arco onde a poeira é arrastada por ventos.
O restante surge de áreas mais distantes, aquecidas pela radiação do núcleo e por um pequeno jato de rádio.
A equipa pretende aplicar o mesmo método a dezenas de outros objetos próximos, para testar se esta arquitetura é comum em buracos negros ativos.
