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O coração consegue regenerar-se após um enfarte, revela novo estudo



Apesar da sua importância, o coração é dos poucos tecidos do corpo humano que não consegue reparar lesões muito bem – ou pelo menos, era isso que se presumia há muito tempo. Cientistas conseguiram agora observar células do músculo cardíaco a regenerarem-se livremente após um enfarte do miocárdio.

Quando algo impede o fluxo sanguíneo, a falta de oxigénio mata as células cardíacas. O órgão consegue reparar-se com tecido cicatricial, mas este tecido fibroso e inelástico não bate, tornando o coração menos eficiente.

Estas irregularidades podem eventualmente levar a novos enfartes e a insuficiência cardíaca no futuro.

Os ratos parecem ter a sorte de possuir corações capazes de se regenerar, pelo menos parcialmente: num estudo publicado em 2023 na revista Naturezaobservou-se que os seus cardiomiócitos (células do músculo cardíaco) voltam a dividir-se após um enfarte.

Como células cardíacas humanas não são nem de perto tão ágeis após uma lesão.

Um novo estudorecentemente publicado na revista Pesquisa de Circulaçãomostra porém que o tecido cardíaco humano pode, de facto, regenerar-se após um ataque cardíaco.

“A nossa investigação mostra que, embora o coração fique com cicatrizes após um enfarte, produz novas células musculareso que abre novas possibilidades”, afirma Roberto Humecardiologista na Universidade de Sydney e primeiro autor do estudo, citado pelo Alerta científico.

“Embora esta nova descoberta do crescimento de células musculares seja entusiasmante, não é suficiente para prevenir os efeitos devastadores de um enfarte”, nota Hume.

“Por isso, com o tempo, esperamos desenvolver terapias que possam amplificar a capacidade natural do coração de produzir novas células e regenerar o coração após um enfarte”, acrescenta o investigador.

Investigações anteriores que observaram doentes após cirurgia cardíaca já tinham sugerido o potencial das células do músculo cardíaco para se regenerarem após uma lesão.

No novo estudo, Hume e os seus colegas examinaram tecido cardíaco humano vivo num coração completo de um dador declarado com morte cerebral, bem como amostras recolhidas de doentes durante cirurgias de bypass.

A equipa sequenciou o ARN (transcrições de ADN utilizadas para produzir proteínas) e estudou detalhadamente as proteínas e o metabolismo do tecido.

Robert Hume / Universidade de Sydney

As secções cor-de-rosa indicam células cardíacas humanas em replicação

“Caracterizámos o ambiente privado de sangue que promoveu esta divisão celular intrínseca dos cardiomiócitos, identificando transcritos, proteínas e metabolitos que já demonstraram induzir divisão celular em estudos com roedores”, escrevem os autores do estudo no artigo que descreve o trabalho.

A esperança é que estas descobertas possam levar a novas terapias regenerativas que um dia nos permitam combater a principal causa de morte no mundo.



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