
ANTÓNIO COTRIM/LUSA
O candidato à Presidência da República, André Ventura.
Será que a melhor maneira de castigar o candidato que (diz que) não quer ser presidente e sabotar o seu partido é… votando nele na segunda volta de dia 8 de fevereiro, forçando-o a desiludir o país no papel de chefe de Estado?
André Ventura fez de tudo para não se candidatar a chefe de Estado, e até ao anunciar a sua candidatura a Belém admitiu que não quer ser Presidente da República. Mas essa tese agora “é falsa” e quem vai ‘na cantiga’ do líder do Chega e tenta pô-lo no lugar de Marcelo para o castigar, “arrisca-se”.
O comentador Miguel Morgado já avisava na SIC Notícias esta segunda-feira que “a tese de que André Ventura não quer ser presidente é falsa”, que o presidente do Chega “percebeu que mais facilmente consegue governar o país a partir de Belém do que chegar a maioria absoluta parlamentar, que é a única opção que tem para ser primeiro-ministro — porque ele nunca vai fazer coligação com ninguém”.
“A partir de Belém”, previu o social-democrata, Ventura “comanda o Chega no Parlamento, vai regulando o calendário eleitoral com a possibilidade de dissolver a Assembleia da República”.
Na manhã deste domingo, na rádio Observadorum ouvinte perguntava “se o melhor para travar André Ventura e o Chega é votar em André Venturauma vez que, se for eleito presidente, a sua bancada parlamentar perderá força com a sua ausência, e ao mesmo tempo Ventura será forçado, enquanto presidente, a promover a estabilidade”.
“Não o fazendo”, continua o leitor, “e se optar por usar ‘a bomba atómica’ [dissolução da Assembleia da República] instalar-se-á o caos e a sua reputação sairá gravemente prejudicada”.
A tática não resulta, acredita Susana Peralta. “Acho que é muito arriscado“, confessa.
“Sei lá se a bancada do Chega perde força ou, se pelo contrário, ganha força, sabendo que tem um peão muitíssimo importante em Belém com poder substancial, não só com a ‘bomba atómica’, mas de influências… [Um Presidente] Não é propriamente a rainha de Inglaterra”, compara: “não fazemos ideia”.
“Há muitas coisas abjetas que o André Ventura faz e que não prejudicam a sua reputação e não parecem prejudicar a sua base eleitoral”, sustenta Peralta, recordando os polémicos cartazes da campanha presidencial, que foi obrigado a retirar e o facto de André Ventura não se ter demarcado nem sequer condenado as recentes detenções de militantes do Chegamembros do neonazi Grupo 1143.
Susana Peralta lança a pergunta a todos os eleitores. “Queremos mesmo arriscar?”.
Independentemente de tudo, duas coisas são certas. Uma é que André Ventura já não pode fugir ao seu destino, seja ele qual for, uma vez que o prazo para desistir da corrida a Belém terminou às 18 horas de dia 20 de janeiro. Outra é que, se conseguir vencer António José Seguro e mesmo assim tente fugir a esse destino ao renunciar ao cargo, não poderá ser primeiro-ministrovisto que não poderá candidatar-se nas eleições imediatas nem nas que se realizem nos 5 anos seguintes.
