
Hugo Delgado / LUSA
O Primeiro-ministro, Luís Montenegro
“Somos um país seguro e que quer continuar a ser seguro. Que não esmorece o seu esforço para continuar a ser seguro”.
A cerimónia nada tinha a ver com eleições presidenciais: eram assinaturas de contratos de investimento da AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal.
Mas, no meio dos investimentos assinados na terça-feira, Luís Montenegro decidiu dizer “seguro”. Seis vezes.
“Somos um país claro. Claro. (…) Somos um país seguro e que quer continuar a ser seguro. Que não esmorece o seu esforço para continuar a ser seguro”.
Mais à frente, cita a Renascença: “Aqueles que ficam radicados no imobilismo, que têm medo da mudança, que não ousam dar passos, que são passos seguros, mas que às vezes é preciso aguentar estes momentos de transição – esses ficam para trás”.
Na noite da primeira volta das eleições presidenciais, Luís Montenegro anunciou que o PSD iria ficar em silêncio na campanha eleitoral rumo à segunda volta. Não vai apoiar nenhum dos dois candidatos: António José Seguro e André Ventura.
Portanto, este discurso não era um apoio a Seguro na segunda volta das presidenciais.
Ou era?
“Eu acho que a única coisa que faltou era piscar o olho”, começa por analisar João Miguel Tavares.
O comentador lembra na SIC Notícias que o primeiro-ministro é fluído no seu discurso, sabe o que diz e o que quer dizer: “E aqui ele repetiu as palavras, parecia atrapalhado a pensar ‘quantas vezes consigo colocar o adjectivo seguro nesta frase?’”.
“Eu não consigo perceber qual foi a ideia. Isto aborrece-me de morte. Se ele quer apoiar, que apoie. Se não quer apoiar, que não apoie. Precisamos de políticos que, corajosamente, digam o que querem fazer. Eu estou farto disto. Acho que há imensa gente que está farta disto”, lamentou João Miguel Tavares.
O comentador até entende que, para gerir os futuros acordos que o Governo vai fazer com Chega ou PS, por isso, Luís Montenegro não anuncie em quem vai votar.
Mas, ou assume isso publicamente e “cale-se”. Mas esta estratégia de “não apoio e agora repetir seguro… Chateia-me. Não fica bem esta falta de clareza na política”.
