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Principal general da China (e amigo de Xi) acusado de dar segredos nucleares aos EUA



LUONG TAILANDÊS LINH/EPA

Zhang Youxia, vice-presidente da Comissão Militar Central da China.

Analistas descrevem o caso como potencialmente sem precedentes no que toca a escala e simbolismo. Nova mão de Xi sobre o ELP pode ser boas notícias para o Taiwan e outros inimigos dos chineses.

A China abriu uma investigação ao general Zhang Youxiaatualmente considerado o militar mais graduado do país e, durante anos, um dos aliados de maior confiança do Presidente Xi Jinping.

Segundo várias fontes que estão a acompanhar uma sessão de esclarecimento interna dirigida ao topo das Forças Armadas, Zhang é acusado não só de corrupção e abuso de poder, mas também de ter partilhado com os Estados Unidos informação sensível sobre o programa de armas nucleares da China, sublinha o O Wall Street Journal neste domingo.

A sessão interna ocorreu na manhã de sábado e terá sido frequentada por oficiais de mais alto escalão. Pouco antes, o Ministério da Defesa chinês anunciara publicamente uma investigação por “graves violações da disciplina do partido e das leis do Estado”, sem adiantar pormenores. A explicação transmitida a portas fechadas, contudo, terá sido muito mais detalhada e grave, apontam as fontes: a queda de Zhang pode ser o início de toda uma nova fase de expurgos e controlo político sobre o Exército de Libertação Popular (ELP).

De acordo com as fontes citadas, Zhang é suspeito de ter formado redes de influência consideradas perigosas, por minarem a unidade interna e a autoridade do líder. A mesma sessão terá referido alegações de que o general abusou do seu peso na Comissão Militar Central (CMC), o órgão máximo de decisão militar do país, presidido por Xi.

Outra linha de investigação incide sobre a tutela de Zhang sobre uma agência poderosa ligada a investigação, desenvolvimento e aquisição de armamento. As fontes dizem que Zhang é acusado de ter recebido dinheiro em troca de promoções e nomeações naquele sistema militar.

No entanto, sublinha o WSJ, a acusação mais explosiva é a de que o general terá divulgado dados técnicos nucleares essenciais aos EUA.

O caso contra Zhang terá surgido do caso de Gu Junantigo diretor-geral da China National Nuclear Corp. (CNNC), conglomerado estatal que supervisiona dimensões civis e militares do programa nuclear chinês. Pequim anunciou recentemente uma investigação a Jun por suspeitas de violações graves, e a sessão interna terá estabelecido uma ponte entre essa investigação e uma falha de segurança no setor nuclear.

Zhang, de 75 anos, pertence ao grupo dos “príncipes vermelhos” — os descendentes de veteranos revolucionários que constituem uma elite com acesso privilegiado a cargos-chave. O seu peso vem também da ligação familiar: o pai de Zhang terá combatido ao lado do pai de Xi durante a guerra civil chinesa que culminou com a vitória comunista em 1949. O caso parece não ter precedentes semelhantes no que toca a escala e simbolismo.

A sessão interna terá ainda associado Zhang à ascensão e queda do antigo ministro da Defesa Li Shang Fuafastado depois de desaparecer da vida pública em 2023 e mais tarde expulso do partido por corrupção. Zhang terá ajudado a promover Li em troca de subornos.

Liu Zhenli, chefe do Estado-Maior Conjunto, também estará a ser investigado. É outra figura central militar da China.

Xi Jinping terá criado uma equipa de trabalho para reexaminar o período em que Zhang comandou a Região Militar de Shenyang (2007-2012), com investigadores já presentes na cidade do nordeste. A escolha de hotéis locais em vez de bases militares não é um detalhe qualquer: está a ser interpretado como uma tentativa de reduzir riscos de interferência e evitar contactos com redes de lealdade que o general poderia manter no terreno. Terão também sido apreendidos telemóveis e dispositivos de oficiais promovidos sob a tutela de Zhang e de Liu.

No sábado, um jornal oficial do Exército acusou Zhang de ter “minado” a base institucional da autoridade do presidente da CMC.

Boas notícias para o Taiwan?

A purga no topo da cadeia do ELP pode ser um bom sinal para quem tem conflitos com os chineses. De acordo com análises citadas por órgãos internacionais, a Comissão Militar Central começou o mandato em 2022 com seis membros militares profissionais; neste momento, resta apenas um oficial de carreira em funções, Zhang Shengmin.

Especialistas em estudos de segurança alertam ao WSJ que esta “descapitalização” do comando pode prejudicar o planeamento e a execução de operações complexas. Há quem argumente que, no curto e médio prazo, tal poderá reduzir a probabilidade de uma ação militar de grande escala, incluindo um cenário de invasão de Taiwan — Pequim vê Taiwan como parte do seu território e mantém a possibilidade do uso da força.

Desde o verão de 2023, a China tem afastado oficiais de topo do exército, força aérea, marinha, força de mísseis estratégicos, polícia paramilitar e comandos regionais, incluindo estruturas diretamente relacionadas com o teatro de Taiwan.

Ao longo de cerca de dois anos e meio, dezenas de oficiais superiores e executivos do setor de defesa terão sido alvo de investigações ou removidos.



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