
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov (ao centro)
Segundo o porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov, os líderes de Bruxelas são uns “analfabetos”. O diplomata russo afirma que “não há nada para falar” com Kaja Kallas e vai aguardar que a chefe da diplomacia da UE “deixe o cargo”.
O porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskovassegurou este domingo que o seu país não tem “nada para falar” com a Alta Representante para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança Kaja Kallaa chefe diplomática da União Europeia, a quem incluiu no lote dos “analfabetos” que são, na sua opinião, os líderes de Bruxelas.
“Todo o sistema de relações internacionais está a ressentir-se porque são uns incompetentes“, diz Peskov.
“São uma espécie de funcionários analfabetos e incompetentesincapazes de ver o futuro e de compreender o sistema actual”, afirmou o diplomata, em declarações ao programa “Moscovo. Kremlin. Putin” da televisão pública russa VGTRK.
“São incapazes de resistir à assertividade de Trump“, acrescentou Peskov, numa referência ao presidente dos EUA.
Peskov afirma que os europeus, que quase suspenderam completamente a importação de hidrocarbonetos russos devido à guerra na Ucrânia, libertaram-se “da dependência da Rússia” em questões de gás, mas “agora caíram na dependência dos EUA“.
“A dependência da Rússia era provisória e era mútua: nós, como vendedores, dependíamos deles e eles dependiam de nós como compradores” e agora dependem de um único vendedor “que impõe as suas condições“, argumentou.
O diplomata criticou ainda os “dois pesos e duas medidas” relativamente à polémica recentemente desencadeada por Donald Trump ao divulgar mensagens privadas enviadas pelo presidente de França, Emmanuel Macrone o secretário-geral da NATO, Marcos Rute.
“Não deixa de ser interessante que todos os europeus ficaram furiosos quando Donald Trump publicou a sua correspondência com Macron, mas quando Macron publicou uma conversa com Putinninguém se zangou”, acusou Peskov, referindo-se a um diálogo entre o Presidente francês e o seu homólogo russo.
Sobre Kaja Kallas, o porta-voz do Kremlin assegurou que “nem a Rússia nem os EUA vão discutir seja o que for com ela” em referência à guerra na Ucrânia ou qualquer outro tipo de questão. “Nunca vamos falar de nada com ela e os americanos também não. Isso é óbvio. O que fazer? Só temos de esperar que ela saia”.
Desde o início do mandato, no final de 2024, a alta representante da União Europeia tem sido altamente crítica da campanha militar russa na Ucrânia e uma das principais defensoras das sanções contra o Kremlin.
Kallas, cujo mãe foi deportada para a Sibéria com a sua família por serem considerados inimigos do povo soviético, nasceu na Estónia numa altura em que essa república báltica pertencia à União Soviética.
