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UE e Índia assinam o “maior de todos os acordos comerciais”



António Costa / X

António Costa, Narendra Modi e Ursula von der Leyen celebram acordo UE-Índia

Quase 20 anos depois, as negociações chegaram a bom porto. O mercado sem barreiras vai abranger 2 mil milhões de pessoas.

UM União Europeia (UE) e a Índia concluíram esta terça-feira, após 18 anos, as negociações para “o maior de todos os acordos comerciais“, visando um mercado sem barreiras para dois mil milhões de pessoasanunciou a Comissão Europeia.

“A Europa e a Índia estão a fazer história hoje: concluímos o maior de todos os acordos comerciais e criámos uma zona de comércio livre com dois mil milhões de pessoas, da qual ambas as partes irão beneficiar”, anunciou a líder do executivo comunitário, Von der Leyen, numa publicação no X.

“Isto é apenas o começo”, adiantou a responsável, dando então conta do fim das negociações comerciais entre os dois blocos iniciadas em 2007, que estiveram bloqueadas por receios ambientais e agrícolas e foram retomadas em 2022.

Pouco depois, a presidente da Comissão Europeia acrescentou que UE e Índia são “dois gigantes a fazer história”. E explicou: “Conseguimo-lo: celebrámos o maior de todos os acordos comerciais e estamos a criar um mercado de dois mil milhões de pessoas. Esta é a história de dois gigantes – a segunda e a quarta maiores economias do mundo -, dois gigantes que escolhem a parceria num verdadeiro modelo em que os dois ganham”, disse von der Leyen, em declarações em Nova Deli no final da “histórica” 16.ª cimeira UE-Índia.

A cimeira também contou com António Costa, presidente do Conselho Europeu: “Hoje marca um momento histórico, pois abrimos um novo capítulo nas relações entre a UE e a Índia – no que diz respeito ao comércio, à segurança e aos laços interpessoais”.

“A nossa cimeira envia uma mensagem clara: numa ordem global em transformação, UE e Índia mantêm-se unidas como parceiros estratégicos e fiáveis”, declarou António Costa no X.

O antigo primeiro-ministro de Portugal fez questão de lembrar, durante a conferência de imprensa, que tem ascendência indiana – o seu pai, Orlando Costa, nasceu em Goa.

Em comunicado entretanto divulgado em Bruxelas, a Comissão Europeia assinalou que este é “o maior acordo alguma vez celebrado por qualquer uma das partes”que vai criar um mercado comercial sem barreiras para dois mil milhões de pessoas e eliminar até quatro mil milhões de euros em direitos aduaneiros por ano para os exportadores europeus.

De acordo com a instituição, o acordo vai também “reforçar os laços económicos e políticos entre a segunda e a quarta maiores economias mundiais, num momento de crescentes tensões geopolíticas e desafios económicos globais”, nomeadamente após as ameaças tarifárias dos Estados Unidos à União Europeia, entretanto atenuadas.

A UE e a Índia já comercializam mais de 180 mil milhões de euros em bens e serviços por ano, gerando cerca de 800.000 postos de trabalho na Uniãopelo que se espera que este acordo duplique as exportações de bens da UE para a Índia até 2032 ao eliminar ou reduzir as tarifas aduaneiras em 96,6% do valor das exportações de bens europeus para a Índia.

“Trata-se da abertura comercial mais ambiciosa que a Índia alguma vez concedeu a um parceiro comercial”, referiu ainda a Comissão Europeia, falando numa “vantagem competitiva significativa aos principais setores industriais e agroalimentares da UE” dado o acesso ao país mais populoso do mundo, com 1,45 mil milhões de habitantes, e à grande economia com o crescimento mais rápido, com um PIB anual de 3,4 biliões de euros.

Durante a presidência portuguesa do Conselho da UE, no primeiro semestre de 2021, a Índia e a UE concordaram em negociar um acordo comercial, outro de proteção de investimentos e um de indicações geográficas.

UM UE é o maior parceiro comercial da Índia e o segundo maior destino das exportações indianas, pelo que pretende reforçar tal posição devido à concorrência da China e dos Estados Unidos.



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